A empresária Andréia Vieira, de 51 anos, morreu após passar por uma cirurgia plástica em um hospital de Goiânia, em Goiás. Natural de Cascavel (PR), ela deixou um filho autista, de 21 anos, e vivia na Espanha havia cerca de cinco anos, onde trabalhava no ramo de distribuição de alimentos.

Segundo os relatos da irmã, Djyanne Vieira, e da prima, Marilda Rabelo, a famÃlia questiona a condução do procedimento e acredita que houve negligência médica antes, durante e depois da cirurgia.
Andréia saiu de Cascavel aos 18 anos e foi morar em Goiânia. Depois, mudou-se para a Espanha, onde construiu a vida e passou a morar com o filho.
De acordo com a famÃlia, ela decidiu voltar ao Brasil para o aniversário da irmã e aproveitou o perÃodo no paÃs para realizar uma cirurgia estética no rosto.
O procedimento custou R$ 118 mil e era considerado um sonho por Andréia, que economizou dinheiro durante dois anos.
Exames antes da cirurgia
Um dos principais questionamentos da famÃlia envolve exames realizados por Andréia ainda na Espanha.
Segundo Djyanne Vieira, antes da viagem, exames apontaram uma alteração. A irmã afirma que o médico responsável teria perguntado se Andréia apresentava algum sintoma e, diante da resposta negativa, teria dito que a alteração poderia ser desconsiderada.
A famÃlia afirma que o exame recomendava uma nova avaliação, mas que Andréia não teria repetido o procedimento antes da cirurgia.


A prima Marilda Rabelo também afirma que Andréia fazia tratamento hormonal por causa da menopausa e que, segundo a famÃlia, recebeu orientação para suspender os hormônios apenas uma semana antes da operação.

Cirurgia durou cerca de dez horas
Segundo os relatos, Andréia entrou no centro cirúrgico por volta das 7h e só retornou ao quarto às 17h30.
A famÃlia afirma que foram realizados diversos procedimentos no rosto, incluindo um lifting facial pela técnica conhecida como deep plane, além de procedimentos para retirada de gordura e reposicionamento de tecidos.
Depois da cirurgia, segundo Djyanne, Andréia apresentava a lÃngua bastante inchada e dificuldade para respirar.
A irmã conta que, durante a noite, a empresária passou a reclamar de dor e sensação de sufocamento. Segundo ela, Andréia chegou a apontar para o próprio pescoço e repetir que estava com dificuldade para respirar.
Djyanne afirma que pediu várias vezes a presença de um médico no quarto. Em determinado momento, segundo o relato da famÃlia, uma profissional teria dito que Andréia estaria "dando piti".Â
"Minha irmã morreu nos meus braços", relata irmã

Ainda conforme Djyanne, a situação se agravou durante a madrugada. Ela afirma que percebeu uma queda na oxigenação da irmã e voltou a pedir ajuda.
A irmã conta que Andréia teria dito, pouco antes de morrer: "Mana, mana, eu estou morrendo." Djyanne afirma que a irmã morreu em seus braços por volta de 1h40.
Ainda segundo o relato, a equipe médica teria iniciado as tentativas de reanimação posteriormente. A famÃlia afirma que médicos chegaram ao hospital depois que Andréia já estava sem sinais vitais.
Os familiares relatam que o procedimento de reanimação continuou por cerca de duas horas.
FamÃlia questiona causa da morte
De acordo com os familiares, a equipe médica informou que Andréia teria sofrido uma trombose que atingiu o coração e provocado uma parada cardÃaca.

Marilda, no entanto, afirma que a famÃlia tem dúvidas sobre a causa da morte e questiona vários aspectos do atendimento recebido pela empresária.
Para os familiares, não se trata apenas de uma intercorrência durante uma cirurgia, mas de uma sequência de situações que, na avaliação deles, precisam ser investigadas.
Andréia Vieira era considerada pela famÃlia uma mulher saudável, que praticava atividade fÃsica e cuidava da alimentação. Segundo os familiares, ela se preparou por anos para realizar a cirurgia que considerava um sonho.
Agora, a famÃlia busca respostas sobre o que aconteceu nas horas que antecederam a morte da empresária.
As afirmações sobre possÃvel negligência são relatos da famÃlia e deverão ser apuradas pelas autoridades e pelos órgãos competentes. Um inquérito foi aberto pela PolÃcia Civil.

| Nota da defesa do Hospital Ankar A advogada responsável pela defesa do Hospital Ankar, Cristiene Pereira Couto, informa que a unidade lamenta profundamente o falecimento da paciente Andréia Vieira Gaspar e manifesta solidariedade aos seus familiares. A defesa esclarece que a paciente recebeu atendimento de emergência imediato, com assistência da equipe médica e de enfermagem e adoção das medidas necessárias diante do quadro apresentado. É importante destacar que a avaliação e os exames pré-operatórios foram realizados externamente, antes da admissão da paciente no Hospital Ankar para a realização do procedimento cirúrgico. A partir da intercorrência, a paciente foi prontamente assistida pelos profissionais presentes, com utilização da estrutura hospitalar necessária e realização das medidas de emergência indicadas. Todos os registros referentes ao atendimento estão devidamente documentados em prontuário, que poderá ser disponibilizado à s autoridades competentes sempre que necessário. O Hospital Ankar permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos pertinentes e colaborar integralmente com a apuração dos fatos, com transparência, responsabilidade e respeito à paciente, à famÃlia e aos profissionais envolvidos. |
Ilsinéia Machado / Catve.com
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