Uma professora de 54 anos foi presa preventivamente nesta sexta-feira (21) durante investigação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), em Cascavel. O caso envolve quatro crianças de 3 anos atendidas no CMEI Geraldo Figueiredo, no bairro Santa Cruz.
A investigação começou em 14 de abril de 2026, após o encaminhamento de uma ficha de referência relacionada à atuação da professora e de outras duas servidoras, de 44 e 50 anos.
Durante a apuração, a Polícia Civil analisou imagens registradas dentro do CMEI. Segundo a delegada Thais Zanatta, responsável pelo Nucria de Cascavel, quatro crianças foram identificadas como vítimas durante a investigação.
"São quatro crianças identificadas, sendo que elas têm três anos de idade", afirmou.
As gravações, conforme a investigação, mostram situações consideradas incompatíveis com os cuidados que deveriam ser prestados às crianças.
Entre os episódios apurados estão crianças sendo puxadas pelos braços e arrastadas pela sala. A investigação aponta ainda que garrafas congeladas teriam sido entregues para que os pequenos segurassem.
Em outra situação, uma das crianças teria sido impedida de permanecer sentada no tatame e obrigada a ficar diretamente no chão frio, vestindo apenas uma bermuda.
Criança apresentou comportamento de automutilação
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores envolve as mudanças de comportamento apresentadas por uma das crianças após os episódios.
Segundo as informações da investigação, a criança passou a apresentar comportamento de automutilação, que estaria relacionado aos fatos apurados pela polícia. Ela já se encontra em acolhimento familiar.
Durante o inquérito, integrantes da equipe do CMEI, entre professores e membros da coordenação, também foram ouvidos.
Professora teria ameaçado integrantes da direção
Além das situações envolvendo as crianças, a Polícia Civil apura uma possível tentativa de interferência na investigação.
Segundo a delegada, após tomar conhecimento das apurações, a professora de 54 anos teria ameaçado integrantes da direção do CMEI e coagido testemunhas.
"Ela estava coagindo testemunhas, especialmente a direção da escola. Assim que soubemos, pedimos ao Judiciário a prisão dela e medidas cautelares contra as outras duas envolvidas", explicou Thais Zanatta.
A conduta atribuída à investigada foi considerada pela Polícia Civil ao solicitar a prisão preventiva.
A professora já estava afastada cautelarmente pela Secretaria Municipal de Educação. Policiais do Nucria foram até a residência dela nesta sexta-feira e cumpriram o mandado judicial.
Ela não resistiu à prisão e, conforme a Polícia Civil, nega os fatos investigados. Após os procedimentos, foi encaminhada à Cadeia Pública.
A mulher é investigada, em tese, por tortura, maus-tratos, lesão corporal e coação no curso do processo.
Outras duas servidoras são investigadas
As outras duas servidoras, de 44 e 50 anos, também são investigadas no mesmo inquérito, mas permanecem em liberdade.
Contra elas, a Justiça determinou medidas cautelares, entre elas a proibição de aproximação das vítimas e das testemunhas.
Segundo a investigação, a prisão preventiva foi solicitada apenas contra a professora de 54 anos porque as supostas ameaças a testemunhas indicariam risco ao andamento das apurações.
As duas servidoras continuam submetidas às medidas determinadas pela Justiça, enquanto o Nucria dá prosseguimento à investigação.
Secretaria diz que denúncia foi encaminhada ao Nucria
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que a professora já estava afastada cautelarmente das funções em razão do procedimento aberto para apurar os fatos.
Segundo a pasta, a própria Secretaria de Educação encaminhou a denúncia ao Nucria e ao Conselho Tutelar.
O caso também já era acompanhado pela Corregedoria do Município, responsável pela apuração na esfera administrativa.
A Secretaria afirmou que, diante da gravidade das denúncias, adotou as medidas administrativas cabíveis e permanece à disposição das autoridades para colaborar com a investigação criminal.
"A Secretaria de Educação reforça que a segurança das crianças é prioridade e que toda e qualquer denúncia será apurada com o devido rigor", informou em nota.
Outras duas servidoras são investigadas
As outras duas servidoras, de 44 e 50 anos, também são investigadas no mesmo inquérito, mas permanecem em liberdade.
Contra elas, a Justiça determinou medidas cautelares, entre elas a proibição de aproximação das vítimas e das testemunhas.
Gabi Lira | Catve.com
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