O advogado Luciano Katarinhuk, que representa familiares das vítimas da queda do avião da Voepass, classificou como um "marco na história da aviação brasileira" o indiciamento de 16 pessoas pela Polícia Federal, investigadas pelo acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP).
Em entrevista concedida após acompanhar a apresentação do relatório final da investigação, na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, o advogado afirmou que o documento responsabiliza toda a cadeia de comando da companhia aérea.
"Pegou toda a cadeia que está envolvida na questão da Voepass. É um marco na história da aviação brasileira, porque 16 pessoas foram indiciadas por crimes graves", afirmou.
Segundo Katarinhuk, entre os indiciados estão pilotos, mecânicos, responsáveis pela segurança operacional, diretores e o presidente da empresa.
Na avaliação do advogado, o próximo passo é que o Ministério Público Federal em Campinas analise o inquérito e ofereça denúncia à Justiça.
"O que se espera agora é que o Ministério Público Federal de Campinas ofereça a denúncia o mais rápido possível para que essas pessoas possam sentar no banco dos réus."
Durante a entrevista, o representante das famílias também afirmou que o caso envia um recado para o setor aéreo sobre a necessidade de manter aeronaves em condições adequadas de operação.
"Manda um recado para toda a aviação de que não se pode colocar uma aeronave para voar sem condições."
Katarinhuk ainda criticou o que chamou de "cultura de não reportar problemas" dentro da empresa.
"A cultura da empresa, da Voepass, era uma cultura de não reportar problemas na aeronave. Isso fez com que uma aeronave que não tinha condição nenhuma de voar estivesse no ar."
O advogado também destacou além do indiciamento a Polícia Federal representou ao Poder Judiciário pela adoção de medidas cautelares contra parte dos investigados. Entre os pedidos está a restrição relacionada aos passaportes, medida utilizada para evitar eventual saída do país durante o andamento da investigação criminal. O relatório também cita outras cautelares consideradas necessárias para garantir a continuidade das apurações. A adoção dessas medidas depende de decisão judicial e não representa condenação dos investigados.
"Eles não podem deixar o país. Isso evita que aconteça o que ocorreu em outros casos, com investigados deixando o Brasil antes de responder à Justiça."
Para Katarinhuk, o indiciamento representa apenas o início da responsabilização criminal. "Vamos iniciar o processo agora, com a denúncia oferecida, mas já temos o indiciamento de 16 pessoas nesse caso da Voepass."






Gabi Lira | Catve.com
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