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PF cita registros da ANAC sobre falhas no sistema de degelo 11 meses antes da queda

Relatório cita registros da ANAC, histórico de falhas e problemas recorrentes no sistema de degelo do ATR-72


Foto PF

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A investigação da Polícia Federal sobre a queda do voo 2283 da Voepass concluiu que falhas no sistema de proteção contra gelo da aeronave já eram conhecidas meses antes da tragédia que matou 62 pessoas, em Vinhedo (SP).

Segundo o relatório final, apresentado nesta quinta-feira (06) um episódio registrado aproximadamente 11 meses antes do acidente demonstra que o ATR-72 já apresentava problemas nos "boots", componentes responsáveis por remover o gelo acumulado nas asas.

Em depoimento prestado como testemunha à Polícia Federal, o comandante Marcos Almendra, que havia pilotado a mesma aeronave cerca de 11 meses antes da tragédia, afirmou que já existiam registros da ANAC apontando falhas nos "boots", componentes responsáveis pelo sistema de proteção contra gelo do ATR-72. Ele também relatou ter enfrentado panes semelhantes durante voos da companhia.

A Polícia Federal também identificou que, durante o período que antecedeu o acidente, a Voepass acumulava falhas na gestão da manutenção. O relatório aponta deficiência na identificação de problemas técnicos, registros de manutenção incompatíveis com os serviços efetivamente realizados e situações em que irregularidades só eram corrigidas após apontamentos feitos pela equipe de inspeção da ANAC.

Outro ponto destacado pela investigação é que um episódio semelhante ao do voo 2283 já havia ocorrido em 13 de setembro de 2023, também envolvendo operação da aeronave em condições favoráveis à formação de gelo. Segundo a PF, esse fato era de conhecimento da direção de operações da empresa, que chegou a propor medidas corretivas.

O relatório ainda conclui que, no dia do acidente, a aeronave voltou a apresentar falhas no sistema pneumático de degelo.

Os peritos verificaram que alertas semelhantes também haviam sido registrados em voos anteriores, mas não foram lançados no livro técnico da aeronave. Para a Polícia Federal, se essas ocorrências tivessem sido registradas conforme determinam os procedimentos, o avião não poderia ter sido despachado para voar em condições de formação de gelo.

A Polícia Federal afirma que esses elementos reforçam a existência de falhas recorrentes na gestão operacional e de manutenção da empresa, que passaram a integrar o conjunto de fatores analisados no inquérito criminal que resultou no indiciamento de 16 pessoas.

O relatório não responsabiliza a ANAC e nem mesmo indicia. O que registra é a existência de informações da ANAC sobre problemas no sistema de degelo e que algumas falhas eram corrigidas somente após inspeções da agência.




Alexandra Oliveira | Catve.com

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