Policial

Indiciado, dono da Voepass diz que não participava da gestão operacional da companhia

José Luiz Felício Filho foi o último a prestar depoimento antes da conclusão pela PF


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O proprietário da Voepass, José Luiz Felício Filho, foi um dos 16 indiciados pela Polícia Federal no inquérito que apura a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP). Ele responde pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo com resultado morte. O empresário prestou depoimento à PF em 4 de agosto de 2026, dois dias antes da conclusão do inquérito.

Ouvido na condição de investigado, José Luiz foi informado pelos delegados de que a investigação estava em fase final. Antes das perguntas, a Polícia Federal apresentou os principais elementos reunidos ao longo do inquérito, entre eles as falhas identificadas no sistema de degelo (antigelo) da aeronave, a ausência de registros formais de algumas ocorrências de manutenção e o histórico de apontamentos envolvendo o avião acidentado. A partir dessas informações, os investigadores buscaram esclarecer qual era a participação de Felício na administração da companhia e se tinha conhecimento das decisões relacionadas à operação e à manutenção da frota.

Em sua defesa, José Luiz afirmou que exercia uma função predominantemente estratégica e institucional. Segundo ele, desde 2017 deixou de participar da gestão operacional da Voepass, delegando essa responsabilidade a executivos contratados para comandar as áreas de operações, manutenção, segurança operacional e qualidade. O empresário declarou que não acompanhava o despacho das aeronaves nem participava das decisões técnicas sobre manutenção ou liberação dos voos. Também afirmou que as fiscalizações e notificações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) eram tratadas pelos departamentos jurídico e técnico da empresa.

Durante os questionamentos, José Luiz não negou a existência de falhas no sistema de degelo da aeronave, mas também não apresentou explicações técnicas sobre elas. Em vez disso, sustentou que não era o responsável pelas decisões operacionais e de manutenção da frota, atribuindo essas atribuições aos diretores e gestores técnicos da companhia.

Questionado ainda sobre a atuação da empresa após a tragédia, o empresário afirmou que a prioridade foi prestar assistência às famílias das vítimas. Segundo ele, a Voepass criou um centro de atendimento em conjunto com a Defensoria Pública, Ministério Público, Defesa Civil, ANAC, seguradora e empresa funerária. Disse ainda que foi instituída uma câmara de reparação para conduzir as indenizações e que, às vésperas do segundo aniversário do acidente, acordos haviam sido firmados com familiares de 60 das 62 vítimas, permanecendo duas negociações em andamento.

Apesar da versão apresentada pelo empresário, a Polícia Federal concluiu pelo seu indiciamento. No relatório final, José Luiz Felício Filho foi responsabilizado, na condição de proprietário e diretor-presidente da Voepass, por integrar a estrutura de gestão da companhia no período que antecedeu o acidente. O indiciamento será analisado pelo Ministério Público Federal, que decidirá se oferece denúncia à Justiça ou se adota outra providência.

O crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo prevê pena de reclusão de 4 a 12 anos quando resulta na queda da aeronave. Como a Polícia Federal atribuiu ao empresário a forma com resultado morte, eventual aplicação da pena dependerá da denúncia do Ministério Público Federal e de uma futura decisão

Alexandra Oliveira | Catve.com

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