Para os familiares das vítimas da queda do voo 2283 da Voepass, a apresentação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) representa o encerramento de uma etapa e o início de uma nova fase na busca por justiça.
Fátima Albuquerque, mãe de Ariane Albuquerque Estevan Risso, uma das 62 pessoas que morreram na tragédia em Vinhedo (SP), afirmou que as conclusões apresentadas confirmaram hipóteses que já vinham sendo levantadas ao longo da investigação.
"De fato ele não poderia ter voado, não poderia ter voado nem para Cascavel, não poderia ter saído de São Paulo, porque ele já vinha com problemas, embora os outros pilotos só reportavam de forma verbal, porque era a forma que eles viviam, a forma que eles trabalhavam naquela empresa."

Mãe espera responsabilização na esfera criminal
A família agora aguarda o avanço do inquérito conduzido pela Polícia Federal e a manifestação do Ministério Público Federal. Fátima afirma que, concluída a investigação aeronáutica, começa uma nova etapa para os familiares: a busca pela responsabilização criminal daqueles que eventualmente contribuíram para a morte das vítimas.
"Nesse momento a gente recebe esse relatório, é o fechamento de um ciclo. Agora nós vamos esperar a questão do término do inquérito, do indiciamento dessas pessoas e da aceitação pela Justiça para a gente lutar pela culpabilização dessas pessoas na esfera criminal. Agora começa de fato a nossa luta."
Para Fátima, a mobilização dos familiares também tem como objetivo transformar a dor provocada pela tragédia em ações que contribuam para evitar novos acidentes.
"Agora começa de fato a nossa luta na busca de justiça, mas também principalmente para salvar vidas, que a gente possa prevenir, que a gente possa usar a nossa dor para que essas tragédias, para que outras pessoas não estejam hoje no nosso lugar de dor, de luta."
A mãe de Ariane também classificou a investigação do CENIPA e da Polícia Federal como um trabalho de grande importância e afirmou que os familiares esperam que o caso represente um marco na responsabilização por acidentes aéreos no país.
"Pela primeira vez no Brasil, vai ser um divisor de águas. A gente vai ter, sim, a criminalização daqueles que deram causa ao acidente."

O que apontou o relatório final do CENIPA
O relatório final do CENIPA concluiu que a queda do voo 2283 não foi causada por um único fator, mas por uma sucessão de problemas técnicos, operacionais, organizacionais e regulatórios. A aeronave ATR 72-500 decolou de Cascavel com falhas no sistema de degelo e, durante o voo, encontrou condições severas de formação de gelo. O acúmulo de gelo contribuiu para a redução da velocidade, perda de sustentação e consequente queda da aeronave.
Ao todo, foram identificados 19 fatores contribuintes, sendo 15 com influência direta na ocorrência e quatro classificados como indeterminados. A análise de 1.206 voos da mesma aeronave também apontou falhas recorrentes, problemas de manutenção e uma cultura de normalização de desvios operacionais.
A investigação identificou ainda que procedimentos importantes deixaram de ser adotados pela tripulação durante a emergência.

Ilsinéia Machado / Catve.com
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