O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) concluiu aproximadamente 95% da investigação sobre a queda do voo 2283 da Voepass, acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. O documento, chamado de novo reporte intermediário, apresenta detalhes inéditos sobre os momentos que antecederam a perda de controle da aeronave, mas reforça que ainda não há uma conclusão sobre a causa do acidente.
Segundo o documento, os investigadores finalizaram a análise dos gravadores de voo (CVR e FDR), dos motores, do sistema de degelo, dos componentes eletrônicos da aeronave, além de exames médicos da tripulação, registros de manutenção, condições meteorológicas e mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota. Também foram realizados testes em simuladores e um voo experimental com um ATR 72-500 para auxiliar na investigação.
O reporte descreve, pela primeira vez de forma detalhada, a sequência dos acontecimentos durante o voo. Os registros apontam diversos alertas de formação de gelo ao longo da rota.
Minutos antes da queda, a tripulação recebeu avisos de degradação de desempenho e de redução de velocidade da aeronave. Às 16h20min57s (UTC), surgiu o alerta "Increase Speed", seguido por vibrações e pelo alarme de estol. Poucos segundos depois, às 16h21min09s, a aeronave perdeu o controle, entrou em parafuso e caiu.
O documento também revela que a aeronave operava com uma das unidades de ar-condicionado e pressurização, conhecida como Pack 1, inoperante. Conforme o CENIPA, essa condição era permitida pela Lista de Equipamentos Mínimos (MEL), desde que fossem cumpridas restrições operacionais previstas pelo fabricante, entre elas a limitação do voo ao nível FL170.
Outro ponto destacado é que havia alertas meteorológicos (SIGMET) indicando condições severas para formação de gelo na região onde o ATR voava. A investigação analisou imagens de satélite, dados atmosféricos e sondagens meteorológicas para compreender o ambiente enfrentado pela tripulação naquele momento.
Apesar do avanço dos trabalhos, o relatório do CENIPA reforça que o reporte intermediário não aponta responsáveis nem estabelece a causa provável do acidente. Segundo o órgão, a investigação tem caráter exclusivamente preventivo e as conclusões serão apresentadas apenas no Relatório Final. Até o momento, nenhuma recomendação de segurança foi emitida.
De acordo com o cronograma divulgado, restam a análise das contribuições enviadas pela França e pelo Canadá, países que participam da investigação por conta da fabricação da aeronave e de seus componentes, além da elaboração e publicação do relatório final.
O novo reporte intermediário divulgado pelo CENIPA reacendeu a expectativa dos familiares das 62 vítimas do voo 2283 da Voepass. Com a investigação 95% concluída, as famílias aguardam a apresentação do relatório final, marcada para 23 de julho, e esperam a responsabilização dos envolvidos, caso sejam identificadas falhas relacionadas ao acidente. A divulgação ocorrerá poucas semanas antes de a tragédia completar dois anos. O voo caiu em 9 de agosto de 2024, deixando 62 mortos.

Redação Catve.com
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