O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do avião da Voepass, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), deverá apontar que uma combinação de fatores envolvendo a atuação da tripulação, fragilidades na cultura de segurança da companhia aérea e falhas no acompanhamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) contribuíram para o acidente que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP).
As informações foram divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que teve acesso a trechos da minuta do relatório do Cenipa. O documento foi encaminhado às autoridades da França e do Canadá para revisão técnica, conforme prevê o protocolo internacional, já que a aeronave ATR é de fabricação francesa e os motores são canadenses.
De acordo com a reportagem, a minuta afirma que os pilotos permaneceram, durante parte significativa do voo, envolvidos em conversas informais sem relação com a operação da aeronave. O Cenipa aponta que essa distração reduziu o monitoramento das condições meteorológicas e dos alertas emitidos na cabine, favorecendo fenômenos conhecidos como "cegueira por desatenção" e "surdez por desatenção".
O documento também menciona que um dos pilotos enfrentava problemas pessoais e que esse estado emocional teria influenciado sua postura durante o voo, desviando a atenção da deterioração das condições da aeronave.
Outro ponto destacado é que a tripulação teria desrespeitado procedimentos operacionais ao prosseguir com o voo mesmo diante da previsão de formação severa de gelo e do conhecimento prévio de falhas no sistema de degelo da aeronave.
Segundo a minuta, não foram adotadas medidas para reduzir os riscos, como alteração da rota, substituição da aeronave ou manutenção corretiva.
Ainda conforme o documento, falhas registradas em voos anteriores não teriam sido formalmente anotadas nos diários de bordo, impedindo que os setores técnicos da empresa identificassem o problema e adotassem providências antes do acidente.
A minuta também aponta fragilidades na cultura de segurança da Voepass. Para o Cenipa, práticas inadequadas teriam sido incorporadas à rotina da empresa, normalizando desvios operacionais e reduzindo a percepção de risco entre pilotos e equipes técnicas.
Outro trecho do relatório indica que a tripulação não reconheceu a gravidade dos alertas emitidos pela aeronave em tempo hábil e não declarou emergência nem solicitou descida imediata, mesmo diante da perda de desempenho causada pelo acúmulo de gelo.
Em relação à Anac, a minuta afirma que auditorias realizadas antes do acidente já haviam identificado diversas não conformidades técnicas e procedimentais na Voepass, além de recorrentes falhas de comunicação sobre problemas nas aeronaves. Segundo o Cenipa, esses indícios não resultaram em medidas suficientes para mitigar os riscos operacionais.
Redação Catve.com
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