General de divisão da reserva, Jorge Antonio Orué Roa.
Foto: Arcenio Acuña Rojas.
A Justiça do Brasil desistiu do pedido de extradição de dois militares paraguaios investigados no caso Dakovo. Com isso, o juiz de Crime Organizado Osmar David Legal Troche determinou a liberdade de ambos no processo internacional. A informação foi publicada pelo jornal paraguaio ABC Collor.
Os beneficiados são o general da reserva Jorge Antonio Orué Roa, de 62 anos, e o coronel também da reserva Bienvenido Santiago Fretes González, de 55 anos. Eles são os últimos envolvidos na operação Dakovo que permaneciam presos no presÃdio militar de Viñas Cue.
A decisão foi tomada após o envio oficial da desistência do pedido de extradição por parte das autoridades brasileiras. Com isso, o magistrado suspendeu a execução da prisão preventiva relacionada a esse processo. Os dois já haviam sido absolvidos no Brasil no último dia 7 de abril.
Apesar da decisão, Orué e Fretes seguem presos provisoriamente e devem passar por nova audiência nesta semana, quando a Justiça do Paraguai analisará um processo local pelos mesmos fatos, ligado ao tráfico de armas.
Entenda o caso Dakovo
A Operação Dakovo, deflagrada em dezembro de 2023, investigou um esquema internacional de tráfico de armas com atuação entre Paraguai e Brasil.
Segundo as apurações, a organização criminosa operava de forma estruturada:
Grande parte desse armamento tinha como destino facções criminosas brasileiras, o que motivou o interesse direto do Brasil nas investigações e nos pedidos de extradição.
As suspeitas também envolvem a participação de agentes públicos, que teriam facilitado registros e liberações de armamentos, dando aparência legal ao esquema.
Outros envolvidos
A absolvição no Brasil também beneficiou outras duas militares paraguaias: a capitã Josefina Cuevas Galeano e a tenente Cinthia MarÃa Turró Braga, que já deixaram a prisão e cumprem medidas com tornozeleira eletrônica.
Outro investigado no caso, o general da reserva Arturo Javier González Ocampo, também já foi liberado anteriormente.
As investigações ainda apontam ligação com a empresa International Auto Supply SA, relacionada ao empresário argentino Diego Hernán Dirisio e à paraguaia Julieta Vanessa Nardi Aranda, que já foram presos na Argentina e atualmente respondem em liberdade com monitoramento eletrônico.
O caso segue em andamento no Paraguai e deve ter novos desdobramentos a partir das decisões judiciais previstas para os próximos dias.
Antonio Mendonça/ Catve
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