Trânsito

Custo de um acidente grave pode ultrapassar R$ 300 mil, alerta direção do HU

Hospital reforça alerta para prevenção; dados de 2026 já mostram 324 ocorrências nos primeiros três meses


Foto: Unioeste

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Os acidentes envolvendo veículos seguem como um dos principais motivos de busca por atendimento de urgência no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), que atende uma população de mais de 2 milhões de pessoas nas regiões Oeste e Sudoeste do estado. Em meio à campanha Maio Amarelo, a unidade de saúde chama a atenção para a necessidade de prevenção, já que boa parte desses casos poderia ser evitada e impacta diretamente a rede hospitalar.

Levantamento do hospital aponta que, somente em 2025, foram 1.533 entradas no pronto-socorro decorrentes de acidentes de trânsito. Desse total, 807 envolviam motocicletas— modalidade que continua liderando as estatísticas da unidade. Ao longo do ano passado, os pacientes vítimas de sinistros de trânsito geraram mais de 19 mil movimentações internas dentro do HUOP.

De acordo com a diretora de enfermagem Sara Treccossi, a campanha Maio Amarelo cumpre um papel essencial ao trazer à tona uma realidade enfrentada diariamente pela equipe hospitalar.

"É fundamental discutir o tema porque ele reflete o que vivemos aqui dentro. Muitos dos acidentes que atendemos poderiam ter sido evitados com mais responsabilidade e conscientização por parte de motoristas e motociclistas", afirma.

Segundo ela, os picos de ocorrências costumam acontecer em fins de semana, feriados prolongados e épocas festivas, quando o tráfego aumenta e atitudes imprudentes se tornam mais frequentes. Os motociclistas, por estarem mais expostos, aparecem repetidamente como as principais vítimas.

"Eles são mais vulneráveis. Acabam chegando ao hospital com traumas graves, muitos precisam de cirurgia e enfrentam longos períodos de internação", explica Sara.

Estrutura hospitalar sob pressão

O diretor geral do HUOP, Rafael Muniz de Oliveira, ressalta que a demanda por atendimento a vítimas de acidentes compromete significativamente a capacidade do pronto-socorro.

"Cerca de 60% a 70% dos pacientes que recebemos são vítimas de trauma. Isso sobrecarrega todo o sistema, desde a recepção até os leitos de UTI", pontua.

Cenário preocupante em 2026

Os primeiros meses de 2026 indicam que a situação permanece crítica. Entre 1º de janeiro e 26 de março deste ano, o HUOP já contabilizou 324 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito, sendo 180 com motocicletas. Somente nesse período, as vítimas geraram mais de 3 mil movimentações internas.

Em abril de 2026, foram 94 novos casos, que resultaram em 1.030 procedimentos e atendimentos hospitalares.

Para a diretoria da unidade, os números mostram que os acidentes continuam exigindo grande mobilização já no início do ano, afetando diretamente setores como centro cirúrgico, pronto-socorro e UTI. Casos mais graves demandam equipe multiprofissional, exames complexos, cirurgias e internações prolongadas.

Rafael Muniz de Oliveira aponta que comportamentos de risco são recorrentes entre os acidentados. "Desrespeito à sinalização, direção sob efeito de álcool e uso de celular ao volante são situações comuns nos atendimentos que realizamos", afirma.

Custos elevados e impacto financeiro

Além da sobrecarga assistencial, os acidentes representam um peso financeiro considerável para o hospital. Embora não seja possível definir um valor exato por ocorrência — já que cada caso tem necessidades específicas —, vítimas com fraturas múltiplas, que necessitam de cirurgias, próteses e internação em UTI, podem gerar despesas superiores a R$ 300 mil.

O diretor administrativo Rodrigo Barcella explica que os sinistros de trânsito afetam toda a rede de saúde.

"Cada ocorrência mobiliza profissionais, leitos, equipamentos e estruturas de alta complexidade. Isso aumenta a pressão sobre o pronto-socorro e sobre setores críticos. O impacto não é apenas assistencial, mas também financeiro e humano", detalha.

A mensagem da direção do HUOP é clara: a conscientização não pode se restringir a campanhas pontuais. O cuidado no trânsito precisa ser incorporado à rotina da população ao longo de todo o ano, especialmente diante do aumento de acidentes graves registrados no município e na região.

A orientação é para que motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres adotem atitudes mais seguras no dia a dia — respeitando a sinalização, evitando o celular ao volante e dirigindo com atenção plena. Medidas simples, mas capazes de salvar vidas e reduzir o impacto sobre o sistema de saúde.

Antonio Mendonça/ Catve/ Unioeste

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