Trânsito

Com intensos bloqueios no oeste, greve que parou o Brasil completa 8 anos

Paralisação de 2018 estrangulou o abastecimento transformando a rotina da região


Foto: Arquivo PRF

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Na madrugada de 21 de maio de 2018, o Brasil iniciava uma das maiores mobilizações de sua história recente. Impulsionada por mensagens em aplicativos, a greve dos caminhoneiros completou exatamente 8 anos. O estopim nacional foi o reajuste frequente dos combustíveis pela Petrobras, que fez o óleo diesel acumular uma alta superior a 50% em doze meses, além da exigência de redução de impostos como PIS/Cofins e Cide.

A paralisação rapidamente tomou proporções gigantescas, afetando refinarias e o Porto de Santos (SP), atingindo 24 estados e o Distrito Federal. Sob o comando do então presidente Michel Temer, o governo federal precisou acionar as Forças Armadas por meio de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) com abrangência nacional para liberar as rodovias, enquanto o STF aplicava multas pesadas aos organizadores.

Efeito no Oeste do Paraná

Se nacionalmente o país viveu dias de desabastecimento, no Oeste paranaense a situação não foi diferente. A região sentiu o impacto devido à sua importância logística e agrícola:

Cascavel: Os trevos e acessos da BR-277 viraram grandes acampamentos de caminhões. Cargas pesadas ficaram retidas nos acostamentos, enquanto o transporte coletivo municipal precisou racionar combustível.

Toledo: O coração do agronegócio sofreu com a interrupção no transporte de rações e no escoamento de suínos e aves, gerando prejuízos imediatos para as cooperativas locais.

Foz do Iguaçu: Na fronteira, o movimento internacional de cargas no Porto Seco travou. O turismo também foi afetado, com os ônibus que realizavam o transporte de visitantes para as Cataratas do Iguaçu e para a Itaipu Binacional operando em horários reduzidos.

Após dez dias de forte pressão e desabastecimento, a greve perdeu força quando o governo federal cedeu, reduzindo 0,46 reais por litro de diesel e criando a tabela do frete mínimo.

Por que o cenário não se repetiu?

Oito anos depois, apesar de a insatisfação com os custos operacionais persistir, lideranças da categoria (como a CNTA e Abrava) apontam que uma nova greve geral é inviável. Os motoristas autônomos passaram a entender que foram usados como massa de manobra por grandes empresas em 2018 e, com a economia fragilizada nos anos seguintes, o transportador hoje não tem margem financeira para parar de rodar sem decretar a própria falência.

A data de hoje relembra o momento em que o país descobriu sua total dependência das rodovias e a força política de uma categoria que parou a produção do país. 

Antonio Mendonça/ Catve

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