Catve
O nível dos rios que existem na fronteira vem assustando cada vez mais e impactando a rotina de milhares de pessoas nos últimos dias. As águas do Paraná invadiram um bairro inteiro, atingindo centenas de pessoas.
Um relatório de um dos satélites da Nasa mostra intensa atividade de raios e trovões. Foram mais de 19 mil relâmpagos registrados em um raio de 100 quilômetros das fronteiras entre Brasil, Paraguai e Argentina, quase 800 descargas elétricas por hora.
No céu, é a beleza que impressiona. Em terra, é o medo que assusta.
A água pede passagem o tempo todo. É a barragem construída pelo homem resistindo à força da natureza. É a água que, sem pedir licença, avança a cada centímetro que passa. São as comportas da Usina Hidrelétrica de Itaipu abertas há mais de dez dias, vertendo água em impressionantes 17 mil litros por segundo.
Água que passa, Rio Paraná que enche. Em um clube de pesca particular de Foz do Iguaçu, as águas do Paraná avançam sorrateiras. A água já alcança a instalação do ar-condicionado do quiosque e, pelas escadas de uma das construções, já não dá para descer.
O bairro San Rafael, na vizinha cidade de Cidade do Leste, está completamente debaixo d'água. Os tetos das casas evidenciam a resistência. Os moradores precisam se deslocar por embarcações.
É uma corrida contra o tempo. Hora de retirar os móveis de dentro das casas e buscar proteção nas forças divinas.
O Rio Paraná está a 116 metros acima do nível do mar na região da Ponte Internacional da Amizade, segundo apontou o monitoramento de Itaipu. Mais de 100 pessoas foram afetadas.
Em Foz do Iguaçu, os transtornos são provocados pelas chuvas que insistem em não parar.
O Rio Iguaçu também mostra sua majestade. A vazão nas Cataratas do Iguaçu chegou a 12 milhões de litros de água por segundo, oito vezes acima do normal. As passarelas estão interditadas no lado brasileiro. O patrimônio natural da humanidade, segundo a Unesco, ficou um dia fechado no lado argentino para não oferecer riscos aos turistas. É respeito.
O satélite TRMM, também da Nasa, aponta o sudeste da América do Sul como uma das regiões com as tempestades mais intensas da Terra.
Confira os detalhes no vídeo acima.
Reportagem Renan Gouvêa | Jornal da Catve
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