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Achei que nunca fosse acontecer comigo, diz pai de menina que morreu afogada em Toledo

Pais relembram os momentos de desespero e fazem alerta sobre os riscos de afogamento infantil


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A dor pela perda da pequena Antonella, de apenas 1 ano e 3 meses, ainda é recente para Camila Ribeiro e Edvin Asafe. Após o sepultamento da filha, os pais falaram sobre os momentos que antecederam o afogamento da criança, ocorrido na terça-feira (6), em uma residência na Rua Augusto Pasarini, no Jardim Gisela, em Toledo.

Em meio ao luto, a família busca forças para enfrentar a perda da primeira filha e faz um alerta a outros pais e responsáveis: todo cuidado com crianças pequenas é necessário, mesmo em ambientes familiares.

Antonella ficava diariamente na casa da avó desde março, quando Camila voltou a trabalhar. Segundo a mãe, a residência era um ambiente conhecido pela menina e a família sempre manteve cuidados para evitar acidentes.

"Minha mãe sempre teve muito cuidado. A porta que dava acesso à piscina estava sempre fechada", contou Camila.


Os momentos antes do afogamento

Na tarde do acidente, Antonella estava dormindo no chão da sala, perto da bisavó. Ao acordar, a menina começou a caminhar e brincar pela residência.

Em determinado momento, percebeu que a criança não estava por perto e perguntou à bisavó, de 97 anos, onde ela estava.

"Minha mãe falou assim: ‘Mãe, cadê a Antonella?’. Minha avó respondeu: ‘Ela foi aí’", relembrou Camila. Foi então que a família percebeu que a menina havia caído na piscina.

Segundo Camila, a mãe dela entrou imediatamente na água para tentar salvar a neta, apesar das dificuldades de locomoção provocadas por pinos na perna.

"Minha mãe pulou na piscina, coisa que ela nunca fez, porque tem pinos na perna e tem dificuldade", relatou.

A avó conseguiu retirar Antonella da água e a bisavó ajudou a segurá-la. Um vizinho entrou na residência e iniciou as tentativas de reanimação enquanto o socorro era acionado.

"Não precisou falar mais nada"

O pai, Edvin Asafe, estava trabalhando quando recebeu uma ligação da sogra. "Ela falou: ‘Antonella, piscina’. Não precisou falar mais nada e eu simplesmente entendi o recado", contou.

Edvin saiu do trabalho e foi até a residência. Ao chegar, encontrou a filha caída no chão, enquanto vizinhos tentavam reanimá-la.

"Eu presenciei a cena de ter visto minha filha no chão. Graças a Deus, tinham os vizinhos conosco tentando reanimá-la", relembrou.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), incluindo uma Unidade de Suporte Avançado e motolâncias, foram mobilizadas para atender a ocorrência.

Antonella estava em parada cardiorrespiratória. Os socorristas e o médico Sandro Eduardo Nogueira Farias realizaram manobras de reanimação durante aproximadamente uma hora e meia, mas a criança não resistiu.

"Uma perda muito grande, nossa primeira filhinha"

Após o sepultamento, Edvin falou sobre a dificuldade de compreender a morte da filha e sobre a importância da fé neste momento. "Uma perda muito grande, nossa primeira filhinha", disse.

O pai contou que, mesmo diante do desespero, encontrou na religião uma forma de enfrentar a tragédia.

"Me veio uma paz tão grande no meu coração, porque Deus falou: ‘Eu estou aqui com você’", relatou.

Para ele, a lembrança da filha será acompanhada pelo sentimento de que a vida de Antonella, embora breve, teve um significado especial para a família.

"Foi a missão dela. Ela cumpriu de uma maneira muito linda e se foi de uma maneira muito trágica."

Família faz alerta a outros pais

Camila e Edvin decidiram compartilhar o que aconteceu para conscientizar outras famílias sobre os riscos de afogamento. O pai reconhece que nunca imaginou enfrentar uma situação semelhante dentro da própria família.

"Eu pensei que nunca fosse acontecer comigo. Vamos prestar atenção com as pessoas que estão ao nosso redor", afirmou.

"Todo cuidado é pouco", reforçou.

O médico que participou do atendimento também destacou, no dia da ocorrência, a importância de iniciar as manobras de primeiros socorros o mais rapidamente possível, ainda antes da chegada das equipes especializadas.

O afogamento de Antonella aconteceu em um ambiente familiar, onde a criança costumava passar os dias. O relato dos pais reforça a necessidade de manter piscinas isoladas por barreiras de proteção e de garantir supervisão constante de crianças pequenas perto da água.

Para Camila e Edvin, a entrevista é uma maneira de transformar a dor da perda em um alerta que possa ajudar a evitar outras tragédias.

Gabi Lira | Catve.com


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