Há 28 anos, em 8 de outubro de 1998, o escritor português José Saramago entrou para a história da literatura mundial ao ser anunciado como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Ele foi o primeiro autor de língua portuguesa a receber a premiação, um dos principais reconhecimentos literários do mundo.
A Academia Sueca destacou a obra de Saramago por utilizar parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia para tornar perceptível uma realidade muitas vezes difícil de compreender. Na época, o escritor tinha 75 anos e completaria 76 em novembro.
Nascido em 16 de novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga, em Portugal, Saramago era filho de uma família de camponeses sem terra. Antes de se dedicar integralmente à literatura, trabalhou como mecânico e funcionário administrativo, além de atuar como editor, tradutor, crítico literário e jornalista.
Seu primeiro livro foi publicado em 1947 com o título "Terra do Pecado". Depois de um período afastado da literatura, voltou a publicar em 1966, com "Os Poemas Possíveis". A projeção como romancista, porém, ganhou força a partir de "Levantado do Chão", lançado em 1980, obra em que desenvolveu características marcantes de seu estilo narrativo.
Nas décadas seguintes, Saramago publicou alguns de seus livros mais conhecidos, entre eles "Memorial do Convento" (1982), "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1984), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995) e "Todos os Nomes" (1997).
"Ensaio sobre a Cegueira" se tornou uma das obras mais conhecidas do escritor. O romance apresenta uma epidemia inexplicável de cegueira que atinge uma cidade e utiliza a situação para discutir relações humanas, comportamento coletivo, poder e organização da sociedade.
A literatura de Saramago também foi marcada pelo questionamento de temas políticos, sociais, históricos e religiosos. A publicação de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1991, provocou uma controvérsia em Portugal e, em 1993, o escritor se mudou com a mulher, Pilar del Río, para Lanzarote, nas Ilhas Canárias.
Depois do Nobel, Saramago ampliou a atuação pública e passou a viajar por diferentes países para participar de conferências, encontros e eventos literários. Continuou escrevendo até os últimos anos de vida, com obras como "A Caverna", "O Homem Duplicado", "Ensaio sobre a Lucidez", "As Intermitências da Morte" e "A Viagem do Elefante".
José Saramago morreu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos, em sua casa, em Lanzarote. A morte ocorreu quase 12 anos depois da conquista do Nobel. A Fundação José Saramago registra que ele faleceu às 12h30, cercado pela família e por amigos próximos.
Em 8 de outubro de 2026, 28 anos depois do anúncio do Nobel, José Saramago permanece como uma das principais referências da literatura de língua portuguesa. Seus livros continuam publicados e traduzidos para dezenas de idiomas, mantendo a obra do escritor presente entre leitores de diferentes países.
Antonio Mendonça/ Catve
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