Fundado em 1º de outubro de 1895 por Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior, o Correio do Povo completa 131 anos em 2026. Criado em Porto Alegre no período posterior à Revolução Federalista, o jornal nasceu com a proposta de se apresentar como uma publicação noticiosa, independente de partidos e voltada aos assuntos de interesse geral.
Na época, a imprensa gaúcha era marcada por jornais ligados às disputas político-partidárias. O Correio do Povo buscou se diferenciar ao defender uma proposta de jornalismo informativo e profissional. A própria edição inaugural apresentava o periódico como uma publicação voltada à informação sobre acontecimentos do Rio Grande do Sul e do país.
A trajetória do jornal acompanhou alguns dos principais acontecimentos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil. Entre eles estão a Revolução de 1923, a Revolução de 1930, a ascensão e a queda de Getúlio Vargas, o suicídio do ex-presidente em 1954 e o golpe militar de 1964. O veículo também registrou acontecimentos internacionais, como guerras, Copas do Mundo e Jogos Olímpicos.
Outro marco importante foi a cobertura das grandes enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. O jornal registrou a enchente de 1941 e, mais de oito décadas depois, enfrentou diretamente os impactos da enchente de 2024, que atingiu Porto Alegre e diversas cidades gaúchas. A inundação chegou a afetar a sede e a gráfica do jornal, exigindo adaptações para a continuidade do trabalho jornalístico.
Ao longo das décadas, o Correio do Povo também passou por mudanças tecnológicas e editoriais. O jornal deixou o formato standard, adotou o tabloide, modernizou seus processos gráficos e, posteriormente, ampliou sua presença na internet e nas redes sociais. Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, a redação passou a trabalhar em grande parte de forma remota sem interromper a produção diária.
Presença além do Rio Grande do Sul
Embora tenha sua história diretamente ligada ao Rio Grande do Sul, a circulação do Correio do Povo também alcançou outros estados da Região Sul.
Há registros documentados de distribuição em Santa Catarina e no Paraná. Em material publicado pelo próprio jornal em 2015, os planos de assinatura eram divididos entre RS e SC/PR, enquanto a venda avulsa também apresentava preços específicos para esses dois estados. O expediente daquele período ainda registrava impressão simultânea em parques gráficos de Porto Alegre, São Sepé e Carazinho.
A presença em Santa Catarina também aparece em ações destinadas aos assinantes. Em 2011, o jornal oferecia a possibilidade de transferência temporária de assinaturas para praias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina durante o período de verão.
Assim, a história do Correio do Povo pode ser entendida não apenas como parte da imprensa gaúcha, mas também como um capítulo da imprensa do Sul do Brasil, especialmente pela circulação de sua edição impressa nos três estados da região.
Um acervo que virou memória
Em mais de um século, as páginas do Correio do Povo se transformaram em uma importante fonte documental para pesquisadores. O jornal mantém um acervo histórico digital com edições que remontam a diferentes períodos de sua trajetória, permitindo consultar publicações de décadas passadas.
Em 2025, quando completou 130 anos, o Correio do Povo também passou a ser oficialmente reconhecido como patrimônio histórico-cultural de Porto Alegre, por meio da Lei Municipal nº 14.292/2025.
A longevidade também faz do jornal uma testemunha das transformações da própria imprensa: de uma publicação impressa criada no final do século XIX a um veículo que atualmente combina jornal, portal de notícias, redes sociais e acervo digital.
Em 1º de outubro de 2026, ao completar 131 anos, o Correio do Povo mantém uma trajetória iniciada ainda no século XIX e marcada pelo registro de acontecimentos que atravessaram a história do Rio Grande do Sul, do Brasil e da Região Sul.
Antonio Mendonça/ Catve
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