Uma decisão tomada em questão de segundos pode ter evitado uma tragédia no Aeroclube de Toledo, atingido pelo forte vendaval na noite de terça-feira (29). O presidente da instituição, João Carlos Lange, contou ao Catve.com que interrompeu uma aula e determinou a saída de aproximadamente 18 alunos ao perceber a aproximação de uma formação que descreveu como um tornado.

O grupo participava de uma aula teórica de instrução de voo quando as condições meteorológicas começaram a piorar.
"Estávamos em sala de aula tendo aula normal para instrução de voo. A gente tinha em torno de 18 alunos na sala de aula. Eu percebi que o tempo estava piorando muito, o vento estava aumentando", relatou.
Diante da situação, Lange interrompeu a explicação e pediu que todos se levantassem. Ele conta que caminhou até o fundo da sala, como se fosse buscar um café, para observar o que acontecia do lado de fora.
"Olhei para a janela e vi o contorno de um tornado. Já evacuei a sala", afirmou. A retirada aconteceu momentos antes de a estrutura ser atingida.
"E nessa que evacuou, no primeiro lance de escada o telhado já foi, a parede da sala de aula foi levada", contou.
Segundo o presidente, a diferença de poucos segundos poderia ter resultado em mortes. "Se a gente esperasse dois, cinco segundos a mais, a gente morreria. Não sobrou nada do aeroclube." Apesar da destruição, ninguém ficou ferido.

Aeroclube perde estrutura e aeronaves
Além do susto, o vendaval deixou prejuízos significativos para a instituição, que possui aproximadamente 30 anos de história.
Segundo Lange, o aeroclube perdeu o hangar e a sala de aula. Duas aeronaves que estavam no local foram destruídas, incluindo um avião de instrução identificado pelo prefixo PP-GPT e outra aeronave que estava sob a guarda da instituição.
Um terceiro avião do aeroclube estava em Arapongas para revisão e não foi atingido.
De acordo com o presidente, as aeronaves que estavam no local tiveram perda total. Ele estima que cada uma tenha valor de pelo menos R$ 450 mil.
"A gente não tem mais hangar, não tem mais sala de aula, não tem mais nada", lamentou.
Lange explicou que o aeroclube é uma entidade sem fins lucrativos e que os recursos arrecadados são destinados à manutenção das instalações e dos aviões.
"O aeroclube tem 30 anos de história. É uma entidade sem fins lucrativos. A gente faz essa formação de pilotos por amor à aviação, a gente não ganha dinheiro com isso", destacou.
Para ele, a situação é triste e desesperadora, especialmente diante da falta de recursos para reconstruir a estrutura.

"Era minha responsabilidade proteger todo mundo"
Mesmo diante dos relatos sobre a retirada dos alunos, João Carlos Lange evita atribuir a si qualquer protagonismo.
"Eles estavam todos sob a minha responsabilidade, e era minha responsabilidade proteger todo mundo. É instintivo. Não acho que eu fui salvador nem nada, foi um ato instintivo que qualquer um faria", afirmou.
Ao recordar o momento, o presidente voltou a destacar a rapidez com que tudo aconteceu. "Cinco segundos a mais eu acho que não estaria aqui para contar a história e nem os alunos."
Destruição no Aeroporto Municipal
O vendaval também atingiu outros hangares do Aeroporto Municipal de Toledo. Conforme levantamento inicial, mais de dez aeronaves foram afetadas e apenas dois hangares não apresentaram danos.
Estruturas metálicas ficaram retorcidas, coberturas foram arrancadas e pelo menos nove veículos também sofreram danos.
Na manhã desta quarta-feira (30), equipes trabalhavam com guindastes e outros equipamentos para retirar os destroços e liberar o acesso às aeronaves.
Apesar dos prejuízos, o aeroporto continua funcionando normalmente. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rodrigo Souza, os equipamentos de navegação e a estação meteorológica não foram atingidos.
Gabi Lira | Catve.com
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