Há 91 anos, o rádio brasileiro ganhava uma emissora que se tornaria parte da história da comunicação no país. Em 25 de setembro de 1935, entrava oficialmente no ar, no Rio de Janeiro, a Rádio Tupi, fundada pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand, então à frente dos Diários Associados.
Conhecida desde os primeiros anos como "Cacique do Ar", a emissora nasceu como a primeira estação de rádio dos Diários Associados. A inauguração aconteceu no bairro de Santo Cristo e contou com a presença do italiano Guglielmo Marconi, pioneiro no desenvolvimento da telegrafia sem fio.
O primeiro transmissor tinha 10 quilowatts de potência e havia sido produzido na Inglaterra. A cerimônia de inauguração reuniu autoridades, artistas e personalidades. O programa inaugural também contou com a participação da orquestra sob regência do maestro Heitor Villa-Lobos.
Antes mesmo da inauguração oficial
Apesar de a inauguração oficial ter acontecido em 25 de setembro, a Tupi já havia realizado transmissões dias antes. Em 15 de setembro de 1935, um programa musical com orquestra, artistas e um coral formado por 120 professores foi levado ao ar. Cinco dias depois, a emissora transmitiu pronunciamentos de autoridades durante as comemorações da Revolução Farroupilha, considerado pela própria Tupi o primeiro registro jornalístico da PRG-3.
A emissora também entrou rapidamente no universo esportivo. Em 27 de outubro de 1935, pouco mais de um mês depois da inauguração, transmitiu diretamente do Estádio das Laranjeiras o jogo entre Fluminense e America, pelo Campeonato Carioca. O America venceu por 6 a 5, em uma partida que teve 11 gols.
O rádio como grande espetáculo
Durante a chamada Era de Ouro do rádio, a Tupi se tornou um dos principais palcos para artistas e programas de auditório. Nomes importantes da música brasileira e internacional passaram pela emissora, que chegou a ter um auditório com capacidade para cerca de 1,5 mil pessoas, conhecido como o "Maracanã dos auditórios".
A programação reunia música, humor, radionovelas, jornalismo e transmissões esportivas. Entre os profissionais e artistas que passaram pela emissora estão nomes como Ary Barroso, Chico Anysio, Chacrinha, Dalva de Oliveira, Carmen Miranda e Nat King Cole.
O Cacique do Ar e o jornalismo
O jornalismo também se tornou uma das marcas da Tupi. Durante a Segunda Guerra Mundial, a emissora manteve programas dedicados ao conflito e criou formatos que buscavam levar informação de maneira mais direta ao público.
Em 2 de setembro de 1945, a Tupi anunciou o fim da Segunda Guerra Mundial, em um episódio que entrou para a história do radiojornalismo brasileiro. A própria emissora registra o feito como um de seus grandes momentos jornalísticos. Há, porém, diferentes relatos históricos sobre a origem e a confirmação da informação recebida naquele momento.
Patrulha da Cidade
Um dos programas mais tradicionais da história da Tupi nasceu em 1960. Criada por Afonso Soares, a Patrulha da Cidade levou para o rádio notícias policiais acompanhadas de humor, personagens e linguagem popular.
A primeira edição foi ao ar em 2 de janeiro de 1960. A atração atravessou gerações e continua na programação da emissora, sendo apresentada atualmente de segunda a sábado.
Da AM para o FM e para a internet
A história da Tupi também acompanha as transformações tecnológicas do rádio. Em 1997, a emissora passou a transmitir sua programação pela internet após firmar um serviço multimídia com a Embratel, ampliando o alcance para além das ondas tradicionais.
Em 2009, outra mudança importante: a programação da Super Rádio Tupi passou a ser transmitida também pela frequência 96,5 FM no Rio de Janeiro. A mudança ampliou a presença da emissora no dial FM carioca.
91 anos de história
Ao completar 91 anos em 2026, a Super Rádio Tupi carrega uma trajetória que atravessa diferentes fases da comunicação brasileira: dos grandes auditórios e das radionovelas às transmissões esportivas, do radiojornalismo à internet e, posteriormente, à integração com plataformas digitais.
A emissora mantém na programação atrações tradicionais, como a Patrulha da Cidade, ao mesmo tempo em que trabalha com jornalismo, esporte, entretenimento e prestação de serviço em diferentes formatos.
Mais do que uma emissora criada em 1935, a Tupi se tornou parte da memória do rádio brasileiro. O "Cacique do Ar", apelido recebido ainda em seus primeiros anos, chega a 2026 com nove décadas completas de história e uma trajetória marcada pelas transformações do próprio meio de comunicação.
Antonio Mendonça/ Catve
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