Cotidiano

Há 9 anos, morria Marcelo Rezende, jornalista que marcou a televisão brasileira

Ele se destacou com investigações de grande repercussão e comandou programas como Linha Direta e Cidade Alerta


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Em um dia como hoje, há nove anos, morria um dos nomes que marcaram o jornalismo policial e investigativo da televisão brasileira. Em 16 de setembro de 2017, Marcelo Rezende morreu aos 65 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações de um câncer no pâncreas.

Nascido no Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1951, Marcelo Rezende começou no jornalismo ainda adolescente. Aos 17 anos, iniciou a carreira na área esportiva, no Jornal dos Sports. Depois, passou pela Rádio Globo e pelo jornal O Globo. Em 1981, chegou à revista Placar, onde trabalhou como repórter e chefe de redação.

Antes de se dedicar ao jornalismo, Rezende havia se formado em Desenho Mecânico, mas nunca exerceu a profissão. Foi na comunicação que construiu uma carreira de mais de quatro décadas.

Da cobertura esportiva ao jornalismo investigativo

Marcelo Rezende entrou na TV Globo em 1987 como repórter esportivo. Trabalhou no Globo Esporte, fez reportagens para o Jornal Nacional e participou de transmissões de futebol.

A mudança de área aconteceu em 1989, quando deixou o jornalismo esportivo e passou a atuar na editoria Rio. Depois de uma reportagem sobre a morte do empresário José Carlos Diniz Filho, Rezende passou a se dedicar às investigações jornalísticas.

Nos anos seguintes, o jornalista ficou conhecido por reportagens de grande repercussão.

Entre 19 e 21 de março de 1996, uma série produzida por Rezende e exibida pelo Jornal Nacional revelou hospitais que realizavam transfusões com sangue contaminado. Segundo o Memória Globo, após a veiculação das reportagens, mais de 300 postos foram fechados no país.

Favela Naval marcou a carreira

Um dos trabalhos mais conhecidos de Marcelo Rezende foi a cobertura da violência policial na Favela Naval, em Diadema, na Grande São Paulo.

A reportagem foi exibida pelo Jornal Nacional em 31 de março de 1997. As imagens mostravam policiais militares extorquindo, humilhando e agredindo moradores durante uma blitz. Em uma das cenas, um policial atirava contra um passageiro dentro de um carro.

Rezende passou cinco dias verificando a autenticidade das imagens e apurando o caso antes da exibição da reportagem. A denúncia teve grande repercussão nacional e provocou desdobramentos políticos e judiciais.

Pelo trabalho, Marcelo Rezende recebeu, em setembro de 1997, o Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, na categoria telejornalismo.

Linha Direta e o Maníaco do Parque

Outro momento importante da carreira aconteceu no fim dos anos 1990.

Em novembro de 1998, Marcelo Rezende entrevistou Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque, em uma reportagem exibida pelo Fantástico. O material serviu como uma espécie de programa-piloto para a nova fase do Linha Direta.

O Linha Direta voltou à programação da Globo em 1999, com Rezende como apresentador. A nova versão combinava jornalismo investigativo, depoimentos e reconstituições dramatizadas de crimes, além de um forte caráter de serviço público.

Marcelo Rezende permaneceu no programa até agosto de 2000, quando foi substituído por Domingos Meirelles.

Passagem por outras emissoras

Em 2002, Marcelo Rezende deixou a Globo. Depois, trabalhou em outras emissoras, entre elas Record, Bandeirantes e RedeTV!, onde apresentou o RedeTV! News.

Na Record, comandou o Cidade Alerta pela primeira vez entre 2004 e 2005. Em 2012, voltou ao programa e permaneceu à frente da atração até 2017.

Foi nessa fase que seu estilo de apresentação, marcado por linguagem direta e forte presença diante das câmeras, se tornou ainda mais conhecido pelo público.

Doença e morte

Em 2017, Marcelo Rezende foi diagnosticado com câncer no pâncreas. A doença provocou seu afastamento do Cidade Alerta.

O jornalista morreu em 16 de setembro de 2017, aos 65 anos. Segundo o Memória Globo, a causa foi falência múltipla dos órgãos em consequência do câncer. A Record também registrou, na época, que a morte ocorreu em decorrência de complicações de um câncer no pâncreas.

Nove anos depois, a trajetória de Marcelo Rezende permanece ligada a alguns dos momentos mais marcantes do jornalismo investigativo e policial da televisão brasileira — da cobertura esportiva às grandes reportagens, passando pelo Linha Direta e pelo Cidade Alerta.

Antonio Mendonça/ Catve

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