Ícone dos filmes de ação, ator belga completa 66 anos em outubro e continua trabalhando no cinema; veja a trajetória, os maiores sucessos e como ele está hoje
Quem viveu os anos 1990 provavelmente já se deparou com Jean-Claude Van Damme em algum momento. Na televisão, nas locadoras, nos cinemas ou em alguma fita VHS, o belga de pernas abertas e chutes acrobáticos era presença constante.
Conhecido pelo apelido de "Muscles from Brussels", ou "Músculos de Bruxelas", Van Damme se tornou um dos principais rostos do cinema de ação daquela época. E a fama chegou tão longe que seu nome acabou parar até em uma música dos Mamonas Assassinas.
Em "Chopis Centis", lançada no álbum de estreia da banda em 1995, Dinho canta sobre ir ao cinema e cita justamente os dois grandes astros de ação que estavam no imaginário popular brasileiro: Schwarzenegger e Van Damme.
Mais de três décadas depois do auge, a pergunta inevitável é: por onde anda Jean-Claude Van Damme?
A resposta é menos nostálgica do que parece. Aos 65 anos em setembro de 2026, o ator continua trabalhando.
Do garoto de Bruxelas ao astro de Hollywood
Jean-Claude Camille François Van Varenberg nasceu em 18 de outubro de 1960, em Berchem-Sainte-Agathe, na região de Bruxelas, na Bélgica.
Ainda criança, começou a praticar artes marciais. A formação esportiva acabou se tornando a base da carreira que viria pela frente.
Antes de conquistar Hollywood, porém, Van Damme precisou passar por uma fase bem diferente da imagem de estrela que o público conheceu.
Ele chegou aos Estados Unidos nos anos 1980 tentando conseguir espaço no cinema e passou por trabalhos como motorista e garçom enquanto buscava oportunidades.
A virada aconteceu com "O Grande Dragão Branco", de 1988.
No filme, Van Damme interpreta Frank Dux, um lutador que participa de um torneio clandestino de artes marciais em Hong Kong. O longa se transformou em um dos títulos mais associados ao ator e ajudou a consolidar sua imagem como estrela internacional.
Atualmente, o filme mantém 6,8/10 no IMDb, com mais de 105 mil avaliações, número que ajuda a dimensionar o tamanho de sua permanência no imaginário dos fãs.
O homem que quase foi o Predador
Antes de virar protagonista, Van Damme teve uma passagem curiosa por outro grande filme de ação dos anos 1980: "O Predador".
Ele chegou a ser escolhido para interpretar a criatura alienígena no filme de 1987, mas acabou deixando a produção. A versão do próprio ator é que o traje original era extremamente desconfortável e quente e dificultava a execução das cenas.
O papel acabou sendo assumido por Kevin Peter Hall, que tinha 2,18 metros de altura e ajudou a estabelecer a presença física do personagem que chegou às telas.
O curioso é que o episódio acabou tendo efeito indireto na carreira de Van Damme. O trabalho em O Predador ajudou a colocá-lo no radar de produtores, e ele logo encontraria seu grande papel em O Grande Dragão Branco.
Vieram os chutes, as divisões e os grandes sucessos
Depois de O Grande Dragão Branco, a carreira deslanchou.
Em 1989, ele estrelou "Kickboxer: O Desafio do Dragão", como Kurt Sloane. O filme se tornou outro clássico de sua filmografia e atualmente aparece com 6,4/10 no IMDb, com cerca de 67 mil avaliações.
Nos anos seguintes vieram alguns dos títulos que ajudaram a transformar Van Damme em uma das principais estrelas do gênero:
Em Duplo Impacto, ele foi ainda mais longe: interpretou dois irmãos gêmeos. O filme atualmente tem 5,7/10 no IMDb.
Já em "O Alvo", de 1993, Van Damme trabalhou com o diretor chinês John Woo, em uma produção marcada pelas sequências de ação e tiroteios coreografados. O longa registra atualmente 6,2/10 no IMDb.
E então veio "Timecop: O Guardião do Tempo", de 1994, filme de ficção científica em que o ator interpreta um policial responsável por impedir alterações no passado. A produção tem atualmente 6,0/10 no IMDb.
O nome que foi parar em "Mortal Kombat"
A influência de Van Damme foi além do cinema.
Durante a criação de Mortal Kombat, a Midway chegou a considerar a possibilidade de desenvolver um jogo baseado em Van Damme e em O Grande Dragão Branco. A negociação não avançou.
O conceito acabou sendo transformado em outro personagem: Johnny Cage.
O visual, a postura de astro de Hollywood e principalmente o famoso golpe em que o personagem faz uma abertura das pernas e atinge o adversário na região da virilha foram associados à imagem de Van Damme em Bloodsport.
Anos depois, a ligação ficou ainda mais explícita: Mortal Kombat 1 passou a oferecer uma versão de Johnny Cage inspirada visualmente e vocalmente em Van Damme.
E os Mamonas?
No Brasil, talvez uma das referências mais inesperadas ao ator tenha vindo justamente dos Mamonas Assassinas.
Na música "Chopis Centis", do álbum lançado em 1995, Dinho canta:
"Pra pegar um cinema, do Schwarzeneger / E também o Van Damme"
A canção retratava, com humor, o cotidiano de um trabalhador e suas pequenas formas de diversão — e a referência aos dois astros mostra o tamanho que aquele cinema de ação tinha no imaginário popular brasileiro dos anos 1990.
O álbum dos Mamonas vendeu mais de dois milhões de cópias e transformou o grupo em um fenômeno nacional antes do acidente que matou os cinco integrantes, em março de 1996.
O auge também teve tropeços
A carreira de Van Damme não foi feita apenas de sucessos.
Na segunda metade dos anos 1990 e principalmente nos anos 2000, sua presença nos grandes lançamentos de Hollywood diminuiu. O ator continuou trabalhando, mas passou a aparecer com mais frequência em produções de menor orçamento e lançamentos destinados ao mercado doméstico.
Foi justamente nesse período que surgiu um dos projetos mais diferentes de sua carreira.
"JCVD" mostrou outro Van Damme
Em 2008, ele protagonizou "JCVD", filme em que interpreta uma versão ficcionalizada de si mesmo.
A produção mistura ação, drama, humor e elementos autobiográficos. Na história, Van Damme se envolve em uma situação de reféns durante um assalto a banco e passa a refletir sobre sua própria trajetória.
O filme acabou sendo muito bem recebido em comparação com boa parte dos trabalhos do ator naquele período.
No IMDb, "JCVD" registra atualmente 7,0/10, com mais de 42 mil avaliações, sendo um dos títulos mais bem avaliados de sua carreira na plataforma.
A produção também permitiu que Van Damme brincasse com a própria imagem de astro de ação e, ao mesmo tempo, mostrasse um lado mais dramático.
"Eu sou o Fred Astaire do karatê"
Ao longo da carreira, Van Damme também ficou conhecido por declarações peculiares, algumas delas tão marcantes quanto seus personagens.
Uma das frases atribuídas a ele resume bem a mistura de artes marciais, cinema e personalidade que ajudou a construir sua imagem:
"Eu sou o Fred Astaire do karatê."
Outra frase frequentemente associada ao ator é:
"Adoro desafios."
Van Damme também já falou sobre o contraste entre a imagem pública e a pessoa por trás dela. Em entrevistas, refletiu sobre o significado de ser uma estrela de cinema e afirmou que a fama podia criar uma espécie de personagem separado da pessoa real.
E por onde ele anda hoje?
A resposta mais simples é: continua trabalhando.
Nos últimos anos, Van Damme voltou a aparecer em produções internacionais.
Em 2021, estrelou "O Último Mercenário", uma comédia de ação lançada pela Netflix. Na história, interpreta Richard Brumère, um agente secreto aposentado que precisa voltar à ativa para proteger o filho que nunca conheceu. A própria Netflix lista Van Damme como protagonista ao lado de Alban Ivanov e Éric Judor.
Depois, vieram novos projetos.
Em 2024, ele apareceu em "Colateral", originalmente intitulado Darkness of Man. No filme, interpreta Russell Hatch, um agente da Interpol que assume a proteção do filho de um informante assassinado. O longa também tem Kristanna Loken e Shannen Doherty no elenco.
Ainda em 2024, participou de "Kill 'Em All 2", sequência do filme de 2017, novamente no papel de Philip. O longa foi lançado digitalmente em setembro daquele ano.
O trabalho mais recente
Em 2025, Van Damme estrelou "O Jardineiro", ou Le Jardinier, dirigido por David Charhon.
Na produção, ele interpreta Léo, um jardineiro aparentemente comum que guarda um segredo capaz de colocar uma família inteira em perigo. O filme mistura ação e comédia e conta ainda com Michaël Youn e Nawell Madani.
Ou seja: aquele homem que nos anos 1990 aparecia fazendo espacates impossíveis, enfrentando dezenas de adversários e estrelando fitas de ação continua diante das câmeras — só que agora em produções de diferentes mercados e gêneros.
Os filmes de Van Damme mais bem avaliados no IMDb
As avaliações mudam ao longo do tempo, mas, considerando os números disponíveis atualmente, alguns dos destaques são:
JCVD (2008) — 7,0/10
Drama e comédia em que o ator interpreta uma versão de si mesmo.
O Grande Dragão Branco (1988) — 6,8/10
O filme que consolidou Van Damme como astro internacional.
Kickboxer: O Desafio do Dragão (1989) — 6,4/10
Um dos maiores símbolos da fase clássica do ator.
O Alvo (1993) — 6,2/10
A parceria com John Woo levou o estilo de ação de Van Damme para outra linguagem.
Soldado Universal (1992) — 6,1/10
Van Damme divide o protagonismo com Dolph Lundgren em uma ficção científica de ação.
Timecop: O Guardião do Tempo (1994) — 6,0/10
Um dos filmes de maior repercussão comercial da carreira do ator.
De astro dos videoclubes a personagem da cultura pop
Van Damme talvez tenha passado por uma transformação curiosa.
Nos anos 1980 e 1990, ele era o próprio gênero: artes marciais, músculos, chutes, espacates e frases de efeito.
Depois, tornou-se também uma referência cultural.
Foi citado pelos Mamonas Assassinas, inspirou Johnny Cage, virou personagem de comerciais, brincou com a própria imagem em JCVD e continuou aparecendo em produções de ação mesmo depois de deixar de ocupar o espaço que tinha nos grandes estúdios de Hollywood.
E existe uma cena que provavelmente resume toda essa trajetória: em 2013, Van Damme estrelou um comercial da Volvo em que aparece fazendo uma abertura completa das pernas apoiado nos espelhos de dois caminhões em movimento.
A imagem viralizou e apresentou uma versão envelhecida, mas ainda extremamente flexível, do astro que havia transformado o espacate em uma de suas marcas registradas.
Mais de 30 anos depois de O Grande Dragão Branco, Jean-Claude Van Damme não é mais apenas o herói de ação que dominou os anos 90.
É também um personagem da própria cultura pop — reconhecido por uma geração que cresceu com VHS, televisão aberta, locadoras e músicas dos Mamonas — e que ainda encontra espaço para voltar à tela.
Antonio Mendonça/ Catve
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