Foto: TV Globo
Há 31 anos, o Brasil perdia uma de suas figuras mais emblemáticas do humor. No dia 15 de setembro de 1995, à s 5h45, morria no Hospital Pan-Americano, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, o comediante LÃrio Mário da Costa, o Costinha, aos 72 anos. A causa foi insuficiência respiratória decorrente de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), agravada por décadas de tabagismo — ele fumava até dois maços e meio de cigarro por dia.
Nascido em 25 de março de 1923, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Costinha era filho de uma portuguesa e do palhaço de circo Bocó. Foi criado no ambiente circense até o inÃcio da adolescência. Aos 13 anos, com a saÃda do pai de casa, abandonou os estudos no terceiro ano do ginásio e começou a trabalhar. Passou por funções como garçom, vendedor de bilhetes de loteria, apontador de jogo do bicho, engraxate, faxineiro, motorista e contrarregra. Anos mais tarde, já adulto e famoso, reencontrou o pai em um asilo de velhos.
Sua estreia no teatro aconteceu em 1941, no espetáculo "Uma Pulga na Camisola". No ano seguinte, iniciou a carreira como radialista, primeiro como Mário Costa e depois já como Costinha. Foi no rádio que ganhou destaque imitando o então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, ao lado de Silvino Neto, que imitava Juscelino Kubitschek. A imitação foi censurada à época, o que, segundo o próprio humorista, acabou tornando-o conhecido: "Eu era um 'João Ninguém' e a censura me tornou conhecido", declarou em 1991.
Ao longo de décadas, Costinha percorreu palcos de todo o Brasil com shows e espetáculos, muitos deles com tÃtulos de duplo sentido ou conotação sexual, como "Morno e Manso", "Entrando na Abertura", "Veludo, o Costureiro das Dondocas", "O Donzelo" e "Mamãe, Tô no Plim-Plim". Personagens e piadas com referência a gays sempre fizeram parte de seu repertório. Em vida, justificava-se: "Nunca quis desrespeitar ninguém, só faço uma sátira".
Nos anos 1970 e 1980, lançou diversos LPs com compilações de piadas, como "As Proibidas do Costinha" e os vários volumes de "O Peru da Festa". Na televisão, estreou no final dos anos 1960 na TV Excelsior, com "Costinha, Comédia Máxima". Passou por TV Tupi, TV Manchete, TV Bandeirantes e TV Globo, participando de programas como "Os Trapalhões", "Balança Mas Não Cai", "Planeta dos Homens", "Estados Anysios de Chico City" e "Escolinha do Professor Raimundo", onde interpretou o personagem Mazarito, sua última aparição na TV.
Costinha morava sozinho em Copacabana e preparava um espetáculo infantil que seria sua despedida dos palcos. Em abril de 1993, foi diagnosticado com DPOC. Mesmo com o problema, não abandonou o vÃcio e sofreu mais de dez internações. Em agosto de 1994, passou mal durante um show no teatro do Barra Shopping e ficou dez dias hospitalizado. Funcionários relatavam que, mesmo doente, ele encontrava maneiras de fumar escondido no hospital.
Em 4 de setembro de 1995, sentiu falta de ar e muita tosse. Foi internado no Hospital Pan-Americano, onde faleceu onze dias depois. O humorista deixou quatro filhos do primeiro casamento e três enteados da segunda esposa, de quem estava separado há cerca de dois anos.
A morte comoveu o meio artÃstico. "Foi a imagem mais engraçada que o Brasil teve", disse Lúcio Mauro. VirgÃnia Lane o considerou "insubstituÃvel". Jô Soares definiu seu trabalho como "um marco na história do humor brasileiro". Chico Anysio lamentou: "Somos amigos desde 1952 e acho que ele foi um grande desperdÃcio. Era a pessoa mais engraçada do PaÃs porque, só com a cara, fazia as pessoas rirem."
Suas últimas peças foram "Curta e Grossa" e "Reverência de Um Gay". Semanas após sua morte, a Câmara de Vereadores de São Paulo propôs a nomeação de uma viela em Perdizes como LÃrio Mário da Costa, em sua homenagem.
Passados 31 anos, a lembrança de Costinha permanece viva. O artista que começou como engraxate e conquistou o paÃs com seu humor único segue sendo referência quando o assunto é comicidade. Como bem resumiu Chico Anysio, ele era "a pessoa mais engraçada do PaÃs porque, só com a cara, fazia as pessoas rirem".
Antonio Mendonça/ Catve
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