Em 28 de agosto de 1941, enquanto a Segunda Guerra Mundial avançava, um programa entrava no ar e mudava para sempre a história do rádio brasileiro: o Repórter Esso.
Financiado pela Standard Oil Company of Brazil, produzido pela United Press Associations (UPA) e supervisionado pela agência McCann-Erickson, o noticiário estreou na Rádio Nacional com uma proposta diferente da que predominava no rádio das décadas de 1930 e 1940.
Em vez de textos longos e linguagem rebuscada, o programa apostava em informação rápida, direta e objetiva. O famoso bordão "O primeiro a dar as últimas" virou marca registrada do noticiário, ao lado de "Testemunha ocular da história".
O boletim tinha apenas cinco minutos, mas seguia regras rÃgidas. Os locutores precisavam manter a voz clara, firme e otimista. Até mesmo as edições das oito da manhã tinham uma orientação: nada de voz sonolenta.
A fórmula conquistou os ouvintes. Durante a Segunda Guerra Mundial, os blocos de programação em que o Repórter Esso estava inserido chegaram a registrar aumento de até 50% na audiência.
A voz que parava o Brasil
Entre os episódios que marcaram a história do programa está o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Embora outras emissoras tenham divulgado a informação minutos antes, muitos brasileiros só comemoraram depois de ouvir a confirmação na voz de Heron Domingues, um dos principais locutores do Esso.
Para garantir que não perderia a notÃcia, Domingues chegou a dormir em uma cama de campanha dentro da redação.
O programa também anunciou a morte de Getúlio Vargas, em 1954, e leu no ar a carta-testamento do presidente.
A força do rádio também foi utilizada para mobilizar a população. Em Campo Grande, um apelo feito pelo programa levou dezenas de motoristas ao aeroporto para iluminar a pista com os faróis dos carros e ajudar no pouso de um avião que estava sem iluminação, com 14 pessoas a bordo.
O Repórter Esso ainda registrou acontecimentos como a morte de Carmen Miranda, em 1955, e prestou homenagens aos pracinhas brasileiros mortos na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.
Do rádio para a televisão
O sucesso foi tão grande que o formato chegou à televisão em 1952. Na TV, o programa permaneceu até 1970.
No rádio, porém, a trajetória terminou antes. A partir dos anos 1960, o Repórter Esso passou a enfrentar a concorrência de novos telejornais, mudanças no mercado publicitário e as pressões e censura impostas pela ditadura militar após 1964.
Depois de 27 anos de transmissões ininterruptas, a última edição radiofônica foi ao ar em 31 de dezembro de 1968, encerrada pela voz emocionada do locutor Roberto Figueiredo.
O programa saiu do ar, mas deixou uma marca que atravessou gerações: a ideia de que notÃcia precisa chegar ao público com agilidade, clareza e precisão.
Antonio Mendonça/ Catve
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