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PF vai apresentar resultado da investigação sobre queda do avião da Voepass

Acidente aéreo matou 62 pessoas em agosto de 2024


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Às vésperas de completar dois anos da queda do avião da Voepass, a Polícia Federal conclui a investigação do caso e deve apresentar, nesta quinta-feira (6), na sede da Superintendência em São Paulo, o resultado do inquérito.

Nomes de pessoas que contribuíram, de forma direta ou indireta, para a queda da aeronave em 2024 devem ser apresentados.

O voo 2283 da Voepass partiu de Cascavel com destino a Guarulhos no dia 9 de agosto de 2024. A aeronave caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, durante o procedimento de aproximação para pouso. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram.

"Eu acredito que sejam diretores, ex-pilotos, mecânicos, chefes de pista, responsáveis por ter mantido essa aeronave no ar. Então, esse indiciamento, acredito que vai trazer, além, lógico, dos proprietários, alguma coisa nesse sentido. Talvez possa até desmembrar o procedimento, mas esse indiciamento vai envolver, logicamente, os pilotos e a tripulação. O piloto, com o piloto, eventual responsabilidade penal pelas atitudes dele dentro da aeronave, eles já pagaram com a própria vida. Mas todas as outras pessoas que permitiram que essa aeronave estivesse voando serão, contudo, pelo que a gente já conversou com a Polícia Federal, mais de uma dezena delas serão indiciadas e responderão criminalmente pela queda desse avião", disse o advogado e assistente de acusação, Luciano Katarinhuk.

Para o advogado, essa fase é importante e também deve ampliar o debate sobre a segurança das aeronaves.

"Vai ser um marco para a aviação brasileira, porque vai trazer responsabilidade para pessoas que muitas vezes acham que não têm responsabilidade. Pessoas que deram causa, de forma direta e indireta, e que poderiam ter evitado que esse acidente acontecesse. Não foi bem um acidente, porque ele poderia ter sido evitado. Ou seja, outras pessoas que porventura trabalham nas mesmas funções em outras companhias, que estejam fazendo ou praticando as mesmas condutas de ação ou omissão, vão agora ter uma preocupação. Por quê? Porque poderão responder criminalmente pelas suas condutas", afirmou Luciano.

No último dia 23 de julho, o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) divulgou o relatório final sobre o acidente.

Foram apontadas falhas humanas e operacionais, além de problemas recorrentes na aeronave e uma cultura organizacional de não registrar panes, o que permitia que os aviões continuassem em operação.

O relatório também apontou deficiências na manutenção e na gestão da segurança operacional da companhia.

A partir de agora, com as informações da Polícia Federal, os envolvidos devem ser responsabilizados criminalmente. Após a apresentação dos indiciados, o Ministério Público poderá oferecer a denúncia.


Reportagem de Isabela de Oliveira | Jornal da Catve

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