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Há 24 anos morria Chico Xavier! O inestimável legado de fé, caridade e consolo

Ele se considerava um carteiro encarregado de entregar as mensagens do plano espiritual


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Nesta terça-feira (30/6), completam-se 24 anos desde que Francisco Cândido Xavier encerrou sua trajetória em Uberaba (MG). Aos 92 anos, o médium sofreu uma parada cardiorrespiratória, mas sua despedida ocorreu exatamente conforme ele mesmo antecipara: num momento de grande júbilo popular, poucas horas depois da conquista do pentacampeonato mundial pela Seleção Brasileira de Futebol.

Nascido em 1910, Chico completaria 116 anos em 2026, e sua influência sobre o pensamento espírita e a cultura brasileira segue tão vigorosa quanto em vida. Sua trajetória foi pautada pela renúncia aos bens materiais e pela entrega integral ao próximo, atributos que o transformaram em referência global dentro e fora dos centros doutrinários.

Números que impressionam e ação social constante

Embora se autodenominasse apenas um intermediário das mensagens espirituais — um verdadeiro "carteiro do além" —, a produção literária atribuída a ele ultrapassa 450 obras psicografadas, vertidas para 15 idiomas, entre eles japonês, grego e esperanto. Estima-se que mais de 50 milhões de exemplares tenham circulado pelo mundo. Toda a renda proveniente dos direitos autorais era integralmente doada a instituições filantrópicas, prática que ele manteve até o fim. Seu trabalho lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz em 1981 e, em 2012, o título de "Maior Brasileiro de Todos os Tempos" em votação popular.

A luz misteriosa que entrou pela janela do hospital

Um dos episódios mais curiosos dos últimos anos de Chico aconteceu em junho de 2001, quando ele estava internado no Hospital Hélio Angotti, em Uberaba, lutando contra uma pneumonia grave. Uma equipe da TV Integração captou com as câmeras um fenômeno peculiar: um facho de luz que descia dos céus, se dividia em dois e adentrava o quarto onde o médium se recuperava.

O cinegrafista Dângeles Chandre e o pesquisador da USP Régis Alves analisaram as imagens e afastaram a hipótese de simples reflexos de faróis ou incidência solar, já que o trajeto da luz era perfeitamente retilíneo e o ângulo de captação não correspondia a fontes externas conhecidas. O médico responsável pelo caso, Eurípedes Tahan, relatou que, a partir daquele instante, o estado clínico do paciente começou a reagir de forma surpreendente. Mais tarde, já recuperado, Chico revelou que a aparição luminescente tratava-se, na verdade, da visita de sua mãe, Maria José, e de seu guia espiritual Emmanuel, que teriam vindo pedir-lhe paciência para os dias que ainda viriam.

Reconhecimento que ultrapassou as fronteiras da fé

A dimensão da credibilidade angariada por Chico Xavier chegou a influenciar decisões judiciais. Em 1980, na cidade de Goiânia, José Divino Nunes era réu num processo por homicídio contra seu amigo Maurício Henriques. O juiz responsável pelo caso aceitou como prova uma carta psicografada por Chico — na qual o espírito da própria vítima relatava que o disparo fora acidental. A partir desse elemento, o acusado foi absolvido, num raro exemplo de uso de mediunidade como subsídio jurídico no país.

Uberaba: a cidade que abriga sua memória

Mineiro de coração, Chico adotou Uberaba como lar em 1959, e a cidade se consolidou como o principal ponto de peregrinação para seus seguidores. Hoje, dois espaços principais preservam sua trajetória:

O Memorial Chico Xavier, um centro interativo com acervo multimídia, depoimentos e objetos que contam histórias de pessoas impactadas por sua atuação.

O Museu Chico Xavier, instalado na antiga residência do médium, onde seu filho adotivo, Eurípedes Humberto Higino dos Reis, mantém pertences pessoais, roupas e livros que pertenceram ao pai.

A relevância do personagem é tão grande que o Geoparque Uberaba, certificado pela UNESCO, elege o legado de Chico como um dos três pilares do projeto que busca reconhecer a região internacionalmente.

Uma ausência que se transforma em presença contínua

Embora tenham se passado quase duas décadas e meia desde sua morte, a figura de Chico Xavier permanece extraordinariamente atual. Nos mais de cem centros espíritas espalhados por Uberaba e nas incontáveis instituições sociais inspiradas por seu exemplo em todo o território nacional, o verdadeiro milagre que ele pregava — o da caridade desinteressada — segue sendo praticado diariamente, mantendo viva a chama de um homem que transformou a mediunidade em ferramenta de consolo e transformação social.

Antonio Mendonça/ Catve

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