Nesta terça-feira (30), completam-se 98 anos da morte de Roberto Landell de Moura, padre, cientista e inventor brasileiro que entrou para a história como um dos grandes pioneiros das telecomunicações. Nascido em Porto Alegre, em 21 de janeiro de 1861, ele morreu em 30 de junho de 1928, aos 67 anos, sem receber em vida o reconhecimento proporcional à importância de suas descobertas.
Formado em FÃsica e QuÃmica na Universidade Gregoriana, em Roma, Landell conciliou a vocação religiosa com a pesquisa cientÃfica. De volta ao Brasil, dedicou-se ao desenvolvimento de equipamentos capazes de transmitir sinais e voz sem a utilização de fios, em uma época em que a comunicação elétrica ainda dependia quase exclusivamente do telégrafo e do telefone convencionais.
Um dos marcos de sua trajetória ocorreu em 3 de junho de 1900, quando realizou, em São Paulo, uma demonstração pública de transmissão da voz humana sem fio entre o bairro de Santana e a Avenida Paulista, em um percurso de aproximadamente oito quilômetros. A experiência foi acompanhada por autoridades e representantes da imprensa e é considerada por diversos historiadores uma das primeiras transmissões de voz por ondas de rádio registradas no mundo.
No ano seguinte, Landell obteve a patente brasileira de um equipamento destinado à "transmissão fonética à distância, com fio ou sem fio". Em busca de reconhecimento internacional, viajou aos Estados Unidos, onde conquistou, em 1904, três importantes patentes: o Transmissor de Ondas (Wave Transmitter), o Telefone sem Fio (Wireless Telephone) e o Telégrafo sem Fio (Wireless Telegraph).
Apesar das conquistas técnicas, o inventor enfrentou falta de apoio financeiro e institucional. Projetos apresentados ao poder público brasileiro foram arquivados, impedindo que suas pesquisas avançassem em escala industrial. Com isso, outros cientistas e empresas desenvolveram tecnologias semelhantes nos anos seguintes, enquanto Landell retornou às atividades religiosas.
Muito além do rádio, o padre gaúcho também concebeu ideias que antecipavam tecnologias modernas. Seus estudos abordavam a transmissão de imagens à distância, considerada precursora da televisão, além de conceitos relacionados ao controle remoto, ao teletipo e à transmissão de informações por luz, princÃpio que décadas depois seria aplicado nas fibras ópticas.
Embora tenha morrido praticamente no anonimato, o reconhecimento veio com o passar das décadas. Hoje, Roberto Landell de Moura é patrono dos radioamadores brasileiros e teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e HeroÃnas da Pátria. Historiadores da ciência também o apontam como um dos principais pioneiros da radiocomunicação no mundo.
Quase um século após sua morte, a trajetória de Padre Landell de Moura continua sendo lembrada como exemplo de genialidade, perseverança e inovação. Suas pesquisas ajudaram a abrir caminho para tecnologias que transformaram a comunicação mundial e permanecem presentes no cotidiano de bilhões de pessoas.
Antonio Mendonça/ Catve
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