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Foz do Iguaçu: uma trajetória escrita por diferente povos, culturas e sonhos

Município completa 112 anos de emancipação política


JC

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Foz do Iguaçu completa 112 anos nesta terça-feira (10) com uma história construída por pessoas de diferentes partes do mundo. Localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a cidade se tornou um dos maiores exemplos de diversidade cultural do país.

A geografia única da região, marcada pelo encontro do Rio Paraná com o Rio Iguaçu, ajuda a explicar a vocação multicultural do município. Mais do que a convivência entre três países, a fronteira abriga representantes de quase 80 etnias diferentes.

O principal cartão-postal da cidade é o Parque Nacional do Iguaçu, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. O local também reúne histórias de pessoas que escolheram Foz do Iguaçu para viver.

Uma delas é a do senegalês Manodo Malick Diouf. Há quase dez anos no Brasil, ele encontrou oportunidades na cidade, construiu uma família e hoje se considera iguaçuense de coração. Poliglota, faz da comunicação uma ponte para acolher pessoas de diferentes origens.

A diversidade também está presente entre os trabalhadores que atuam nas Cataratas do Iguaçu. Dos 462 colaboradores da concessionária responsável pela visitação do lado brasileiro, 39 são estrangeiros, vindos de 10 países diferentes.

Entre eles está o boliviano Abiel, monitor no parque e apaixonado por Foz do Iguaçu. Depois de deixar a cidade por um período, decidiu retornar motivado pela saudade e pelo vínculo criado com a região.

Somente em 2025, o Parque Nacional do Iguaçu recebeu 2.058.539 visitantes. Pessoas de 207 países passaram pelas Cataratas do Iguaçu para conhecer uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo.

Outra personagem que representa a formação multicultural da cidade é Evelina Renjifo Navarrete. Filha de poloneses, ela chegou a Foz do Iguaçu em um período marcado por conflitos na história da humanidade. Aos 87 anos, mesma idade do Parque Nacional do Iguaçu, a guia de turismo afirma que não pretende viver em outro lugar.

Dados da Polícia Federal mostram que a presença de estrangeiros continua crescendo no município. Nos últimos dois anos, 12.648 pessoas de diferentes partes do mundo solicitaram residência no Brasil com destino a Foz do Iguaçu. Ao todo, moradores de 78 etnias vivem atualmente na cidade.

O crescimento da fronteira também está ligado à forte presença da comunidade árabe e muçulmana. Foz do Iguaçu abriga a maior comunidade islâmica do Brasil em proporção populacional. A influência do Islã está presente em diferentes setores, como educação, comércio, desenvolvimento econômico e política.

A pluralidade cultural também pode ser observada na Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída com a participação de trabalhadores de diversas regiões. Entre eles está o engenheiro eletromecânico Alexis Rodolfo Cantero Samudio, paraguaio que atua há anos na binacional. Segundo ele, a convivência entre idiomas nunca foi um obstáculo na fronteira, onde o português, o espanhol e até o guarani fazem parte da rotina.

A influência internacional também está presente em bairros tradicionais da cidade, como a Vila A. É lá que vive a guia de turismo Lídia Bashmakoff. Brasileira, filha de imigrantes bielorrussos, ela mantém vivas as tradições da família e costuma receber visitantes da terra natal dos pais para apresentar a cidade onde vive há quase quatro décadas.

Ao completar 112 anos, Foz do Iguaçu reafirma sua condição de cidade que pertence ao mundo. Um município onde diferentes idiomas, culturas e tradições convivem diariamente e ajudam a construir uma identidade única na fronteira.

Confira os detalhes no vídeo acima.


Reportagem Renan Gouvêa | Jornal da Catve

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