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102 anos após execução, história de padre e coroinha segue viva no RS

Caso ocorrido em 1924 ainda mobiliza fiéis e mantém tradição religiosa no interior gaúcho.


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Em 21 de maio de 1924, um padre e um adolescente foram executados a tiros em uma emboscada no interior de Três Passos, no noroeste do Rio Grande do Sul. Passados 102 anos, a história de Manuel Gómez González e Adílio Daronch continua presente na memória coletiva e na devoção de fiéis da região.

Padre González, espanhol radicado no Brasil, e seu auxiliar Adílio, um coroinha de 15 anos, foram mortos durante uma viagem pastoral. Os dois seguiam para comunidades isoladas quando foram interceptados por homens armados, supostamente ligados a conflitos políticos da época.

Relatos históricos apontam que ambos foram amarrados, torturados e executados na localidade de Feijão Miúdo, atual distrito de Padre Gonzáles. O sacerdote teria sido perseguido por realizar sepultamentos sem distinção política, em um período marcado por forte divisão no estado.

A morte ocorreu durante um cenário de instabilidade no Rio Grande do Sul, após a Revolução de 1923, quando disputas entre grupos políticos resultaram em episódios de violência, especialmente em áreas do interior.

Memória que atravessa gerações

Mesmo após mais de um século, a história segue viva em diferentes cidades gaúchas. Em Dona Francisca, onde Adílio nasceu, celebrações religiosas são realizadas regularmente em memória dos dois. Já em Três Passos e Nonoai, locais ligados à trajetória das vítimas, a devoção também se mantém.

Em 2007, o Vaticano reconheceu padre González e Adílio Daronch como mártires da fé, durante o processo de beatificação. A possível canonização ainda depende da validação de milagres atribuídos à intercessão dos dois.

Devoção e reconhecimento

Fiéis relatam graças alcançadas e participam de romarias que reforçam a importância religiosa e cultural da história. Objetos associados ao episódio, como fragmentos de madeira e relíquias, são preservados e fazem parte da tradição local.

Além das manifestações religiosas, a trajetória dos dois também segue sendo contada por meio de expressões culturais, como encenações teatrais e iniciativas comunitárias que mantêm viva a memória do episódio.

Mais de um século depois, o caso segue como um dos episódios mais marcantes da história regional, reunindo elementos de fé, violência e memória que ainda mobilizam comunidades no Rio Grande do Sul.

Antonio Mendonça/ Catve

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