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Há 138 anos, Brasil encerrava tardiamente a escravidão no papel

Data marca o fim oficial do regime escravocrata, mas também levanta reflexões sobre desigualdade


A abolição da escravatura: quadro de 1849 de François-Auguste Biard. (Wikimedia Commons/Reprodução)

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O dia 13 de maio de 1888 entrou para a história do Brasil como a data em que a escravidão foi oficialmente extinta com a assinatura da Lei Áurea, pela princesa Isabel. O texto, curto e direto, determinava: "A escravidão no Brasil é declarada extinta a partir da data desta lei".

A aprovação ocorreu de forma rápida. Foram apenas cinco dias entre a apresentação do projeto e a sanção. No dia 3 de maio, a princesa Isabel, então regente, defendeu o fim da escravidão durante a abertura do ano legislativo. O projeto foi apresentado no dia 8, aprovado pela Câmara no dia 10 e, em 13 de maio, recebeu aval do Senado antes de ser sancionado.

Apesar da assinatura da lei, o fim da escravidão no Brasil foi resultado de um processo longo, marcado por pressões políticas, econômicas e sociais. Revoltas populares, como a dos Malês, leis que já vinham restringindo o regime escravocrata — como a do Ventre Livre e a dos Sexagenários — além da atuação de movimentos abolicionistas e pressões internacionais, contribuíram para a mudança.

O Brasil foi o país das Américas que mais recebeu africanos escravizados. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas tenham sido trazidas à força entre os séculos XVI e XIX.

Atualmente, mais de um século após a abolição, o 13 de maio tem sido cada vez mais tratado como uma data de reflexão. Especialistas apontam que a Lei Áurea não garantiu direitos básicos à população negra após a liberdade formal.

Segundo dados do IBGE, pessoas pretas e pardas representam 55% da população brasileira, mas ainda são maioria entre os que vivem em condições precárias, como moradias sem acesso adequado a saneamento básico.

Pesquisadores destacam que, após a abolição, não houve políticas públicas que assegurassem inclusão social, acesso à terra, educação ou trabalho digno. Muitos libertos continuaram submetidos a condições semelhantes às da escravidão.

Outro ponto que reforça o debate é a permanência do trabalho análogo à escravidão no país. Em 2023, mais de 3 mil trabalhadores foram resgatados dessa situação, caracterizada por condições degradantes, jornadas exaustivas ou trabalho forçado.

Diante desse cenário, o 13 de maio deixa de ser apenas uma data comemorativa e passa a ser um momento para refletir sobre o passado e os desafios ainda presentes, como o combate ao racismo e a busca por igualdade social.

Antonio Mendonça/ Catve

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