Divulgação/Nasa
Em abril de 2026, a temperatura média da superfície dos mares atingiu o segundo patamar mais elevado já registrado pela história. O dado foi divulgado pelo serviço europeu Copernicus.
Segundo a medição, o termômetro dos oceanos marcou 21°C no mês passado. Esse valor só fica atrás do recorde observado em abril de 2024, confirmando uma trajetória contínua de aumento térmico das águas.
O resultado surge pouco antes da chegada do chamado "Super El Niño", previsto para ocorrer entre 2026 e 2027. Esse fenômeno climático tende a provocar elevações extremas e fora do padrão na temperatura dos mares.
Os números não incluem as zonas polares e funcionam como um termômetro relevante do aquecimento global. Estima-se que os oceanos absorvam cerca de 90% do calor excedente gerado por atividades humanas.
De acordo com os registros do Copernicus, ondas de calor sem precedentes foram detectadas desde o Pacífico equatorial central até a costa oeste dos Estados Unidos e do México.
No Ártico, a cobertura de gelo marinho ficou 5% abaixo da média histórica para o período — o segundo pior índice já anotado para esta época do ano, atrás apenas dos 6% negativos de 2019.
Já na Antártida, a extensão do gelo marinho registrou 10% abaixo da média de abril, mas os valores se mostram próximos aos observados nos dois últimos anos.
Com esse quadro, as projeções indicam que 2026 pode igualar ou até superar 2024, que até agora detém o título de ano mais quente da história.
O meteorologista Zeke Hausfather, do instituto independente Berkeley Earth, explica que o impacto no aquecimento médio do planeta costuma ser sentido com um ano de defasagem. Por isso, ele estima que 2027 ultrapasse 2024.
Dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) mostram que abril de 2026 também foi o terceiro abril mais quente do mundo em termos globais, com temperatura média de 14,8°C. Esse número fica 0,52°C acima da média do mês entre 1991 e 2020.
Abril ainda foi palco de fenômenos extremos, como ciclones tropicais no Pacífico, enchentes no Oriente Médio e na Ásia, além de estiagem no sul da África.
O que é o El Niño?
O El Niño consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial (próximo à linha do Equador). Ocorre em intervalos de cinco a sete anos e pode durar de um a dois anos, geralmente começando por volta de dezembro.
Normalmente, a elevação térmica varia entre 2°C e 3,5°C, considerando que a temperatura superficial típica do Pacífico é de 23°C. Esse aumento altera a circulação atmosférica, afetando chuvas e temperaturas em várias partes do globo.
No Brasil, o El Niño provoca:
Mais chuvas concentradas na região Sul;
Aumento de temperatura e pancadas irregulares no Sudeste e Centro-Oeste;
Redução das chuvas no Norte e Nordeste, contribuindo para secas severas.
Antonio Mendonça/ Catve
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