Foto: Ahmet Çiftçi
Quando o calendário marca uma sexta-feira 13, a reação varia entre brincadeiras e cautela. A fama de dia azarado é forte no mundo ocidental, mas nem tudo o que se diz sobre a data tem comprovação histórica.
Especialistas explicam que a superstição é resultado de um mosaico cultural construÃdo ao longo dos séculos, misturando religião, tradição oral e literatura.
O medo da data realmente existe e tem nome
O temor especÃfico da sexta-feira 13 é chamado de parascevedecatriafobia, termo derivado do grego que significa, literalmente, medo da sexta-feira treze. É uma variação da triscaidecafobia, que é o medo do número 13.
O número 13 já era visto como problemático
Historiadores apontam que o 13 passou a ser considerado "imperfeito" por estar além do número 12, tradicionalmente visto como completo em várias culturas. Doze meses no ano, doze signos, doze apóstolos. O 13 quebraria essa harmonia simbólica.
A associação com a Última Ceia é culturalmente aceita
Na tradição cristã, a Última Ceia reuniu Jesus Cristo e seus 12 discÃpulos, totalizando 13 pessoas à mesa. Judas Iscariotes, apontado como o traidor, teria sido o 13º a chegar segundo a tradição popular.
Embora não haja um registro bÃblico que destaque formalmente a ordem de chegada, a narrativa ajudou a consolidar a ideia de que 13 pessoas reunidas poderia trazer má sorte.
Sexta-feira também já foi considerada um dia negativo
Alguns eventos da tradição cristã teriam ocorrido em uma sexta-feira, incluindo a crucificação de Jesus. Isso contribuiu para que o dia carregasse, simbolicamente, uma conotação negativa em certos perÃodos históricos.
A superstição ganhou força no século XIX
Pesquisadores indicam que a combinação "sexta-feira + 13" só se popularizou mesmo no século 19. Em 1907, o romance Friday, the Thirteenth, de Thomas W. Lawson, explorou o medo da data em uma trama envolvendo o mercado financeiro, ajudando a fixar o conceito no imaginário popular.
Décadas depois, o cinema ampliou essa fama com o filme Friday the 13th, lançado em 1980, que transformou a data em sinônimo de terror para gerações.
Não é superstição universal
Em paÃses como Espanha e Grécia, o dia considerado azarado é a terça-feira 13. Já na Itália, a superstição costuma recair sobre a sexta-feira 17. Isso demonstra que o medo não é universal, mas cultural.
O que não é comprovado
A origem na mitologia nórdica
Existe uma lenda envolvendo Loki, personagem da mitologia nórdica, que teria invadido um banquete elevando o número de convidados para 13, culminando na morte de Balder.
No entanto, historiadores afirmam que não há evidência direta de que essa narrativa seja a origem da superstição da sexta-feira 13. Trata-se de uma interpretação posterior, não de um registro histórico que conecte claramente o mito à data.
A teoria dos Cavaleiros Templários
É popular a ideia de que a superstição teria começado com a prisão de membros da Ordem dos Templários em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307.
Especialistas, porém, apontam que não há registros históricos indicando que a população da época tenha associado o episódio à má sorte. A conexão ganhou força apenas séculos depois, especialmente após o romance O Código Da Vinci, de Dan Brown, que ajudou a popularizar essa narrativa.
Entre crença e cultura
Do ponto de vista cientÃfico, não há qualquer evidência de que a sexta-feira 13 aumente riscos ou provoque acontecimentos negativos. A data é resultado de uma construção cultural que mistura simbolismo religioso, literatura e tradição popular.
Para alguns, é apenas mais um dia comum no calendário. Para outros, ainda é sinônimo de cautela.
No fim das contas, a sexta-feira 13 revela mais sobre a força das histórias que atravessam gerações do que sobre azar propriamente dito.
Antonio Mendonça/ Catve
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