Cotidiano

Toledo entra no mapa da inteligência climática e recebe projeto pioneiro

Município será o primeiro do interior do Estado a receber o Smart Climate City, iniciativa que amplia a precisão das informações meteorológicas e pret


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Toledo dá nesta sexta-feira (4) um passo importante na construção de uma cidade mais preparada para os desafios impostos pelo clima. O município será o primeiro do interior do Paraná a receber o Smart Climate City, projeto de inteligência climática desenvolvido pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), em parceria com a empresa suíça Meteoblue. O lançamento ocorreu no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico.

A iniciativa, que já foi apresentada no mês passado em Curitiba, chega a Toledo com uma proposta que vai além da previsão do tempo: usar dados meteorológicos de alta resolução para compreender melhor o comportamento do clima dentro das cidades, identificar áreas de maior risco e subsidiar ações de prevenção, planejamento urbano e resposta a eventos extremos.

Quem está em Toledo para apresentar o projeto é a diretora-executiva do Simepar Vanessa D’Avilla. Segundo ela, o Smart Climate City nasceu a partir do interesse do Simepar em conhecer uma experiência desenvolvida na Europa e entender como a tecnologia poderia ser adaptada à realidade brasileira.

Vanessa explica que, antes de trazer o projeto para o Brasil, foi necessário fazer uma espécie de ‘tropicalização’ da tecnologia, considerando que as características e os desafios climáticos brasileiros são diferentes daqueles encontrados em países europeus. "Fomos conhecer o projeto para entender como funcionava. Quando trouxemos para o Brasil, fizemos a tropicalização, porque os problemas aqui são diferentes", explica a diretora-executiva.

O projeto terá dois polos de estudo com características distintas. Curitiba representa um grande centro urbano, permitindo analisar questões relacionadas ao crescimento da cidade, ao microclima e à formação das chamadas ilhas de calor. Toledo, por outro lado, foi escolhida justamente pelo seu potencial de crescimento e pela possibilidade de estudar como uma cidade de porte menor pode se desenvolver de maneira mais resiliente diante das transformações climáticas.

Mais precisão para compreender o clima

Um dos diferenciais do Smart Climate City está na capacidade de trabalhar com informações meteorológicas em uma escala muito mais detalhada. Atualmente, a previsão do Simepar para o Paraná trabalha, de maneira geral, com uma resolução de aproximadamente cinco quilômetros.

Com o novo projeto, a proposta é ampliar a capacidade de processamento dos modelos meteorológicos e produzir informações mais precisas sobre o comportamento do clima em diferentes regiões de uma mesma cidade.

Para Vanessa D’Avilla, essa característica é fundamental para que os municípios consigam compreender melhor os riscos e tomar decisões mais eficientes.

A proposta, no entanto, não termina na produção de dados. "Como se trata de um projeto-piloto, um dos principais objetivos é transformar o conhecimento produzido em protocolos e normativas que possam orientar os municípios na construção de políticas de resiliência climática", salienta a diretora executiva do Simepar.

Toledo como laboratório de resiliência

Ela complementa que a escolha de Toledo também levou em consideração a existência de uma extensa série histórica de informações meteorológicas. A estação meteorológica instalada no município possui cerca de 30 anos de atuação, oferecendo uma base de dados importante para o desenvolvimento dos estudos.

Vanessa pontua que a partir dessas informações, o projeto poderá contribuir para uma compreensão mais aprofundada da realidade climática local e dos impactos que o crescimento urbano pode provocar ao longo dos próximos anos. "A expectativa é que a experiência desenvolvida em Toledo, somada aos estudos realizados em Curitiba, ajude a construir protocolos de resiliência climática que possam servir de referência para outros municípios paranaenses".

Mais do que prever a ocorrência de chuvas, temporais, ondas de calor ou outros fenômenos extremos, o Smart Climate City busca antecipar os impactos desses eventos e oferecer aos gestores públicos instrumentos para planejar cidades mais preparadas, seguras e resilientes.

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