O envelhecimento é uma etapa natural da vida, mas também exige atenção, planejamento e, principalmente, cuidado. Foi com esse olhar que o Projeto Quebrando o Silêncio, iniciativa educativa e de prevenção promovida anualmente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, aborda a saúde mental da pessoa idosa em uma edição especial da campanha. A iniciativa, que mobiliza ações de conscientização e prevenção da violência, busca contribuir para uma cultura de cuidado e proteção. Entre os temas discutidos está a necessidade de compreender a saúde mental para além da ausência de doenças.
Convidado do Programa Acontece da Rádio União Diego Alexandre Rozendo da Silva, psicólogo, enfermeiro e professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus Toledo, com doutorado em psicologia na área de Saúde Mental, destaca que falar sobre saúde mental significa também falar sobre qualidade de vida. "Nós associamos muito saúde mental à doença. Mas saúde mental também é promoção de saúde. Precisamos pensar em práticas que promovam a saúde".
De acordo com o especialista, o cuidado com a saúde mental é amplo e envolve diferentes áreas da vida. "Alimentação adequada, atividade fÃsica, lazer, relações familiares, convivência social e acesso a profissionais de diferentes áreas fazem parte de uma rede que pode contribuir para um envelhecimento mais saudável. "Quando o indivÃduo precisa de cuidado, vários profissionais atuam nessa área, pois precisamos ter cuidados na saúde mental, nutrição, lazer e atividade fÃsica. Saúde mental é um tema amplo".
SOLIDÃO E ISOLAMENTO MERECEM ATENÇÃO
Entre os desafios que podem afetar a população idosa, Diego chama atenção especialmente para o isolamento social e a solidão. A redução da convivência e dos vÃnculos, que pode interferir diretamente no bem-estar e na qualidade de vida. Para enfrentar esse cenário, ele destaca a importância de iniciativas que estimulem a participação social e a convivência, como atividades em grupo e espaços destinados à terceira idade. "Entre os idosos, o que é mais preocupante é o isolamento, a solidão. Precisamos pensar em iniciativas para mitigar isso. Atividades em grupo e em espaços de convivência são soluções".
O psicólogo salienta que cada pessoa envelhece de maneira diferente. Por isso, não é possÃvel estabelecer uma regra única para definir quem estará mais ou menos vulnerável ao sofrimento emocional. "Cada pessoa enfrenta dificuldades. É algo muito particular. Não é porque existe o mesmo diagnóstico que as pessoas vão vivenciar a mesma situação". Nesse sentido, caracterÃsticas individuais e a história de vida de cada pessoa precisam ser consideradas. "O envelhecimento não deve ser associado automaticamente à tristeza, à incapacidade ou à perda da autonomia", comenta o professor.
PREPARAR-SE PARA ENVELHECER TAMBÉM É PREVENÇÃO
Para Diego, o cuidado com a saúde mental não começa apenas quando a pessoa chega à terceira idade. "Ele deve ser construÃdo ao longo de toda a vida, por meio de hábitos e relações que formam aquilo que o especialista chama de ‘capital de saúde’, como a promoção de uma atividade fÃsica, lazer, prazer no trabalho ou manter relações familiares saudáveis. Quando cultivamos hábitos saudáveis ao longo da vida, tendemos a ter uma velhice melhor", salienta o psicólogo.
Ele acrescenta que a ideia reforça que prevenção não significa apenas evitar doenças, mas construir condições para que a pessoa possa chegar à velhice com mais autonomia, vÃnculos sociais e possibilidades de continuar encontrando sentido e satisfação na vida.
"TUDO NA VIDA É PREVENÇÃO"
O planejamento também envolve pensar no futuro. "A aposentadoria, por exemplo, representa uma mudança importante na rotina e na organização financeira. Por isso, preparar-se para essa fase pode ajudar a evitar situações de insegurança e sofrimento", destaca o profissional.
Ele complementa que o envelhecimento da população brasileira traz ainda novos desafios sociais e econômicos. "Com as pessoas vivendo mais, torna-se cada vez mais importante pensar sobre renda, moradia, acesso a serviços e condições adequadas de vida".
Diego observa que as questões econômicas podem funcionar como catalisadores de sofrimento, especialmente quando há uma mudança brusca no padrão de vida após a aposentadoria. "Nós temos uma população crescente e precisamos planejar a velhice. Eu me aposentei, e agora? Por isso, pensar na velhice também significa pensar em planejamento financeiro, segurança, autonomia e qualidade de vida".
UMA NOVA REALIDADE
Mais do que enxergar o envelhecimento como uma fase de perdas, o especialista propõe uma mudança de perspectiva. Ter mais de 60 anos não significa que os projetos chegaram ao fim. A convivência, o lazer, a atividade fÃsica, as relações afetivas, a participação social e o acesso ao cuidado podem abrir novas possibilidades.
A mensagem central é de que a vida continua sendo construÃda em todas as idades. E, quando surgem dificuldades, buscar ajuda e construir uma rede de apoio também é uma forma de prevenção. "Quando a pessoa está nessa situação, é possÃvel ter alegria e felicidade. Envelhecer faz parte da vida. Envelhecer com dignidade, proteção, autonomia e oportunidades de continuar vivendo plenamente deve ser um compromisso coletivo", finaliza.
Programa Acontece - De segunda a sexta
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