Há 52 anos, em 1º de julho de 1974, o então presidente-general Ernesto Geisel sancionava a lei que determinou a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. A medida deu inÃcio ao processo que resultaria, em 15 de março de 1975, na criação do atual estado do Rio de Janeiro, com a capital transferida de Niterói para a cidade do Rio de Janeiro.
A decisão, tomada durante o regime militar, transformou profundamente a organização polÃtica e administrativa do paÃs e segue sendo considerada uma das mudanças territoriais mais marcantes da história brasileira.
O que era o Estado da Guanabara?
O Estado da Guanabara foi criado em 1960, quando BrasÃlia passou a ser a capital federal. Até então, a cidade do Rio de Janeiro era o Distrito Federal. Com a mudança da capital para o Planalto Central, o municÃpio do Rio não foi reincorporado ao antigo estado do Rio de Janeiro. Em vez disso, tornou-se um estado autônomo, composto exclusivamente pela cidade do Rio de Janeiro.
Na época, a Guanabara era o menor estado do Brasil, com cerca de 1.350 quilômetros quadrados, mas figurava entre os principais polos econômicos e industriais do paÃs.
Fusão dividiu opiniões
O projeto de unificação foi enviado ao Congresso Nacional em junho de 1974 e aprovado rapidamente pela maioria governista. A proposta recebeu forte resistência de parlamentares da oposição, que argumentavam que a medida foi imposta sem consulta à população e poderia causar prejuÃzos polÃticos, econômicos e administrativos.
Entre as crÃticas estavam a perda da autonomia da Guanabara, o impacto nas finanças públicas e a dificuldade de integrar duas estruturas administrativas completamente diferentes. Senadores também defendiam que a população deveria ter sido consultada por meio de um plebiscito, o que não ocorreu.

Já os defensores da fusão afirmavam que a medida fortaleceria a economia regional, eliminaria barreiras administrativas e criaria um estado mais competitivo diante do crescimento de São Paulo.
Novo estado nasceu em 1975
A lei sancionada em 1974 entrou em vigor em 15 de março de 1975, quando o então governador do antigo estado do Rio de Janeiro, Raimundo Padilha, e o último governador da Guanabara, Chagas Freitas, transmitiram o cargo ao primeiro governador do estado unificado, Faria Lima.
Com a fusão, a cidade do Rio de Janeiro passou a ser a capital estadual, enquanto Niterói deixou de exercer essa função e passou a integrar o novo estado como municÃpio.
Debate permanece até hoje
Mais de cinco décadas depois, a fusão ainda desperta debates entre historiadores, cientistas polÃticos e especialistas em administração pública. Enquanto alguns avaliam que a medida favoreceu o desenvolvimento econômico e fortaleceu o estado, outros apontam que o processo foi conduzido de forma autoritária, sem participação popular, deixando impactos polÃticos e administrativos que ainda são discutidos.
A antiga Guanabara permanece viva em alguns sÃmbolos da cultura fluminense, como a tradicional Taça Guanabara, disputada no Campeonato Carioca de Futebol, criada ainda na época em que a cidade do Rio de Janeiro era um estado independente.
Antonio Mendonça/ Catve
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