Créditos: Orlando Kissner/Alep
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL), realizou nesta terça-feira (10) uma reunião para ouvir testemunhas no processo que apura suposta quebra de decoro parlamentar do deputado Renato Freitas (PT). A investigação é relacionada a uma confusão registrada nas dependências do Legislativo. A representação é uma das sete que tramitam contra o parlamentar no colegiado.
O episódio investigado ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e envolveu também o deputado Márcio Pacheco (PP) e o assessor parlamentar Kenny Niedzwiedz, do gabinete de Pacheco. Na denúncia, apresentada pelo deputado Tito Barichello (União), Freitas teria ofendido Pacheco, chamando-o de "coronelzinho de meia pataca", e o assessor de "idiota". O documento aponta ainda que o parlamentar teria desferido um golpe contra o servidor após o fim da reunião.
Imagens da sessão indicam que a discussão começou enquanto Freitas lia seu voto sobre um projeto. Segundo relatos, ele interrompeu a leitura após perceber risadas do assessor. Márcio Pacheco interveio e iniciou uma discussão com o deputado. Depois da sessão, no saguão ao lado do Auditório Legislativo, Freitas e Niedzwiedz voltaram a discutir — momento em que teria ocorrido o empurrão citado na denúncia.
A defesa de Freitas sustenta que o parlamentar foi provocado. "Renato foi ridicularizado pelo assessor enquanto estava com a palavra. O deputado apenas afastou o servidor, que continuava debochando", afirmou o advogado Edson Vieira Abdala. O próprio Freitas declarou que apenas tentou se proteger de provocações e negou agressão.
Depoimentos
Primeiro a depor, Kenny Niedzwiedz negou ter ironizado o deputado. "Nas imagens dá para ver que eu estava no celular. Não é do meu feitio rir do trabalho de outro", afirmou. Ele disse ainda que, após o fim da sessão, tentou esclarecer o mal-entendido e foi empurrado. O assessor também relatou exposição nas redes sociais do parlamentar, com divulgação de nome, salário e foto.
Integrantes do Gabinete Militar da Alep, capitão Felipe Vitor Hess e cabo Ricardo Luiz Martins, relataram a atuação da equipe de segurança para conter o tumulto e o reforço policial no local. Ambos afirmaram que não presenciaram o momento do suposto empurrão.
Testemunhas indicadas pela defesa apresentaram versão diferente. Ellen Lefosse afirmou que o assessor ria e gesticulava durante a fala de Freitas, mesmo após pedidos para que parasse. Já a assessora de comunicação do deputado, Jessica Candal Sato, disse que viu o servidor provocar Freitas no saguão, antes da nova discussão.
Próximos passos
Ao final da sessão, a defesa solicitou a inclusão de novos vÃdeos e imagens no processo. O pedido foi aceito, com prazo de cinco dias para apresentação do material. Depois disso, o processo entra na fase de alegações finais, quando defesa e relatoria apresentam seus pareceres.
Segundo o presidente do Conselho de Ética, o prazo para conclusão é de até 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30.
Redação Catve.com
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