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Grêmio pede parcelamento de dívida com Cascavel para cinco anos

Clube Cascavelense ainda não recebeu vencimentos pela venda de Bitello ao futebol russo


Foto: Arquivo

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O FC Cascavel se manifestou publicamente o pedido apresentado pelo Grêmio à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para parcelar em 60 vezes dívidas com clubes, entre elas uma obrigação financeira com a equipe cascavelense. Segundo o FC Cascavel, uma decisão já havia determinado o pagamento do débito no prazo de 30 dias.

Em nota divulgada neste sábado (22), o clube afirmou ter sido surpreendido pela proposta de parcelamento e manifestou "discordância e indignação" com a medida.

Na nota, o FC Cascavel afirmou ainda que a discussão envolve não apenas os interesses individuais dos credores, mas também a segurança jurídica e a responsabilidade financeira nas relações entre clubes.

Confira a nota na íntegra:

O FC Cascavel vem a público manifestar sua discordância e indignação diante do pedido apresentado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para a implementação de um plano coletivo destinado ao pagamento de dívidas, entre elas obrigação financeira devida ao nosso clube.

Após o esgotamento das instâncias competentes e diante de decisão que determinou o pagamento do débito no prazo de 30 dias, fomos surpreendidos com a pretensão de parcelamento da obrigação em 60 vezes.

O FC Cascavel respeita os mecanismos legais disponíveis aos clubes e reconhece a importância de instrumentos destinados à reorganização financeira do futebol brasileiro. Entretanto, tais mecanismos não podem ser utilizados para postergar indefinidamente o cumprimento de obrigações reconhecidas e exigíveis, especialmente quando os credores também são clubes de futebol que dependem desses recursos para honrar seus próprios compromissos.

Causa ainda maior perplexidade observar, simultaneamente, notícias envolvendo o Grêmio em tratativas de mercado com cifras milionárias para a contratação de atletas, enquanto obrigações já constituídas perante outros clubes são submetidas a propostas de pagamento que podem se estender por anos.

Diante desse cenário, clubes credores, por meio de seus respectivos departamentos jurídicos, estão se reunindo e articulando uma manifestação conjunta perante a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com o objetivo de contestar esse modelo de parcelamento e defender a efetividade das decisões e obrigações constituídas no âmbito do futebol brasileiro.

A preocupação ultrapassa os interesses individuais de cada credor. Trata-se de preservar a segurança jurídica, a responsabilidade financeira e a credibilidade das relações entre os clubes, evitando que obrigações reconhecidas possam ser sucessivamente postergadas em prejuízo daqueles que cumpriram sua parte nos negócios celebrados.

Não buscamos privilégios. Buscamos apenas aquilo que nos é devido.

O futebol brasileiro precisa ser construído sobre responsabilidade, equilíbrio e, sobretudo, respeito aos compromissos assumidos.

A DÍVIDA

A dívida de mais de R$ 4 milhões é referente à venda do meia Bitello ao Dínamo Moscou. O jogador foi vendido pelo Tricolor Gaúcho ao Dínamo Moscou, em setembro de 2023, por 10 milhões de euros (cerca R$ 52 milhões na cotação da época), e o time paranaense tinha 30% dos direitos.

Com isso, o Cascavel teria em torno de R$ 15 milhões para receber do Grêmio pela negociação. O Tricolor pagou R$ 10,6 milhões, após a Serpente entrar com uma ação na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF.

O Cascavel entrou mais vez na CNRD da CBF, cobrando o restante do valor. A dívida é de R$ 4 milhões mais juros e multa, o que chegaria em torno de R$ 6 milhões.

Gabrielly Liebber | Catve.com

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