Enquanto os holofotes estão nos jogadores, treinadores e até dirigentes, existe um profissional fundamental para o funcionamento de qualquer clube de futebol: o roupeiro. Responsável por cuidar de uniformes, materiais esportivos e da organização dos vestiários, ele desempenha um papel silencioso, mas indispensável nos bastidores do esporte.
A jornada de trabalho começa cedo. Muito antes dos atletas chegarem para os treinamentos, o roupeiro já está preparando os uniformes, separando coletes, chuteiras, bolas, enfim, são quase 100 itens do dia a dia. Cada detalhe é cuidadosamente planejado para que nada falte.
Mas não é só saber qual chuteira é de quem. Ele domina todos os costumes dos jogadores.
Nos bastidores ele revelou, por exemplo, que pinta a chuteira do Peçanha, volante, antes de todos os jogos.
Outros dois jogadores gostam de usar trava de alumínio, então todos os cravos precisam de um aperto especial.
Depois que as atividades em campo terminam, na rouparia o trabalho continua. É hora de recolher os materiais, conferir se todos os itens retornaram, encaminhar uniformes para lavagem em uma máquina industrial, depois eles vão para uma centrífuga e depois para a secadora, onde os itens saem prontos para serem organizados novamente. Claro, também tem aquelas chuteiras que precisam de tapa bem dado. Os jogadores passam por aqui todos os dias, mais de uma vez, e que convive com este profissional valoriza muito a função. O goleiro Sid tem total respeito pelo trabalho do Chimba.
Cada dia é um aprendizado diferente. Aos mostra a luva personalizada do André Luiz, fabricada pela patrocinadora do goleiro do Cascavel, Chimba lembrou de um episódio. O dia que levou uma bronca porque inventou de colocar a mão dentro da luva do jogador.
Está valendo também, não dá para acertar todo dia. Mas, o roupeiro do Cascavel também conta que quando trabalhava no Cianorte, antes de vir para cá, teve um pesadelo que virou realidade. Ele era auxiliar Newton Barbosa, roupeiro do Cianorte, e sonhou que Newtão morreria de infato e ele assumiria a rouparia. E aconteceu, menos de 24 horas depois.
Nos dias de jogos, a responsabilidade de roupeiro aumenta. São quase 40 itens na lista. Ele prepara os uniformes oficiais, organiza os pertences dos atletas e acompanha a delegação em viagens. Muitas vezes, é ele quem verifica se todos os materiais exigidos pela comissão técnica estão prontos para uso, evitando imprevistos momentos antes da partida. Olha só como fica o vestiário, um verdadeiro brinco. Pronto para Robinho e companhia jogar um futmesa.
Quando o jogo é fora então, atenção redobrada. Bolas murchas na viagem e quase 20 caixas de materiais.
Até a faixa que o capitão Geovane usa é responsa do roupeiro. E como um bom líder, o capita rasgou elogios, mas também deixou escapar que o Chimba gosta de uma resenha.
A relação próxima com jogadores e membros da comissão técnica transformam o ambiente em uma grande família, onde confiança, dedicação e comprometimento jogam juntos.
Deivid Souza / Hora do Esporte
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