Um jogo, muitas dificuldades. A semifinal entre o Colégio Estadual do Campo Aprendendo com a Terra e com a Vida, do Reassentamento Valmir Motta, e o Colégio do Jardim Interlagos pode ser chamado de o confronto da superação.
Colégio do Jardim Interlagos, bairro mais afastado do centro, que ainda sofre com o preconceito de algumas pessoas. Não é preciso sair de Cascavel para saber que isso ainda existe e quando é com as adolescentes, fica ainda mais cruel.
Mas, quando o universo conspira à favor, é possível passar por essas batalhar com menos dificuldade. E dentro de quadra elas mostram que a paixão pelo esporte é muito mais forte que qualquer coisa. Nas arquibancadas a torcida do Interlagos deu o tom.
Festa bonita. Com bola rolando podemos resumir o duelo da seguinte maneira. Era Emily contra a Vanessa. A camisa 10 do Colégio do Campo chutou muito. De tudo quanto é jeito. De perto ou de longe. E a pequena goleira ficou gigante. Pegou tudo e mais um pouco. E também contou com um pouco de sorte, é claro, goleira boa tem que ter sorte.
O reflexo do que acontecia em quadra era visto fora dela. Para essa mãezinha de jogadora do Colégio Aprendendo com a Terra e com a Vida faltaria unhas ao final da partida, de tanto nervosismo. E olha suspiro aliviado quando o time adversário não tinha êxito no ataque. Essa jogadora do banco de reserva, a Drika, resolveu descontar tudo na garrafinha de água. E olha o semblante de pavor a cada tentativa do Jardim Interlagos. Que imagem.
Com muita correria de um lado para o outro, não poderíamos esperar muita técnica de duas equipes que não treinam todos os dias. E que nem tem lugar para fazer isso. Porém, quem assistiu ao jogo viu que vontade e disposição não faltou. O que não é sinônimo de bola na rede. A partida terminou empatada: 0 a 0. Decisão por pênaltis.
Se já estava tenso, imagina agora. A Geovana chegou no professor e falou que não iria bater pênalti não. Tile precisou conversar com ela e falou: "respira fundo, eu preciso que você bata o pênalti". A torcedora que estava roendo unhas até pouco tempo, me parece que a mãe da Geo, teve que deixar o nervosismo de lado para também tranquilizar a aluna/atleta.
As meninas do Colégio do Campo se ajoelharam na quadra. Então vamos para as cobranças, série de três pênaltis para cada lado. A Maria Eduarda foi a primeira a bater e ela parou na defesa da goleira. Olha por esse ângulo a defesa da Adrieli e a vibração do grupo depois.
Agora aquele confronto dos 30 minutos regulamentares. Emily contra Vanessa. Quem leva a melhor dessa vez. Emily chuta no meio do gol e a bola entra. A camisa 10 encheu o pé, mas foi no limite bola no meio das pernas da goleira. Sofia Ketlin na segunda cobrança do Interlagos e ela marca o primeiro. Bateu bem, com firmeza, no alto, sem chance para a Adrieli nessa. E chegou a vez da Geo, aquela que pediu para não bater o pênalti. Mesmo sem muita confiança ela acertou o alvo e fez 2 a 1. A Vanessa até que foi na bola, mas não alcançou. Última cobrança do Interlagos. Thaylla precisava fazer e torcer para a Vanessa defender depois. Ela cumpriu bem com sua obrigação e empatou: 2 a 2. Bateu com categoria a Thaylla, chapada na bola, no cantinho. Goleira contra goleira na última cobrança. Adrieli estava nervosa e de novo o papel importante do professor para acalmar a sua atleta. Ansiedade era tanta que ela quase cobrou com a bola fora do lugar. Com a ajuda do árbitro, agora sim tudo ponto. Adrieli na cobrança, Vanessa no gol e Colégio do Campo classificado para a grande final da Categoria B, de 12 a 14 anos. E aquele contraste do esporte, festa gigante de um lado e do outro tristeza e frustação por ter chegado tão perto. Mas, as meninas do Interlagos estão de parabéns, apesar do choro, saem de cabeça erguida.
O Colégio Estadual do Campo Aprendendo com a Terra e com a Vida está na final, só esperando o vencedor da outra partida para decidir o título. Isso já aconteceu outras vezes.
Agora vamos para outra batalha da semifinal. Colégio Estadual XIV de Novembro versus Colégio Estadual Acquilino Massochin. Os dois times fizeram um jogo mais organizado e o colégio da região Sul de Cascavel foi até um pouco melhor que a instituição que fica na região norte da cidade.
Também foi um jogo com contornos dramáticos, do início ao fim. Não tiveram tantas chances claras de gols, mas algumas assustaram quem estava na torcida. O primeiro tempo terminou 0 a 0. Na segunda etapa, nenhuma mudança de cenário. O XIV foi um pouco melhor, mas também não conseguiu marcar. Final com placar zerado novamente.
Mais uma decisão por pênaltis. E nessa disputa teve alguém que brilhou demais. A Valentina, goleira do Acquilino, chegou a segurar a cobrança da Maria Vitória. Mas, a Amabyle marcou para o XIV. Não foi das melhores cobranças, mas o importante é que foi gol.
No entanto, a grande heroína da partida foi a goleira Evellyn. Ela simplesmente fechou o gol nas penalidades. Defendeu as três cobranças do Acquilino. A primeira batida da Kauany. A segunda foi da Leonora e a terceira da Ana Julia. Impossível fazer gol desse jeito. Ela colocou o Colégio Estadual XIV de Novembro para a final da Categoria B. E sobre o segredo para se sair bem, dividiu os méritos com alguém dentro de casa.
Confirmada a final. O XIV de Novembro será adversária do Colégio do Campo Aprendendo com a Terra e com a Vida.
Para o Colégio Acquilino fica a sensação do dever cumprido em um ano de estreia.
E será que os perdedores têm favorito para a final.
Deivid Souza / Hora do Esporte
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